Rio de Janeiro, 27 de Maio de 2026

Compromisso pela unidade

A semana que precede o Pentecostes aponta para as Igrejas um claro compromisso pela unidade. Basta conferir no Evangelho o insistente apelo de Jesus em favor da unidade dos que iriam acreditar no seu nome, para entender quanto a preocupação pela unidade deveria fazer parte de todos os que se professam cristãos. (Leia Mais)

Sexta, 13 de Maio de 2005 às 16:43, por: CdB

A semana que precede o Pentecostes aponta para as Igrejas um claro compromisso pela unidade. Basta conferir no Evangelho o insistente apelo de Jesus em favor da unidade dos que iriam acreditar no seu nome, para entender quanto a preocupação pela unidade deveria fazer parte de todos os que se professam cristãos. 

É significativo que a semana de orações pela unidade dos cristãos é colocada às vésperas de Pentecostes. Com isto, se reconhece que Pentecostes é a referência fundamental para situar a problemática da unidade. Uma unidade que acolhe a diversidade, e faz dela não um motivo de desunião, mas de reconhecimento da multiforme ação de Deus, que distribui os diferentes dons para o enriquecimento de todos.

Foi no final de uma "semana de orações pela unidade dos cristãos" que o Papa João 23 anunciou, em 1959, sua idéia de convocar um concílio. Por aí percebemos como a causa da unidade nos convida a pensar grande, na tentativa de reencontrar os desígnios de Cristo a respeito de sua Igreja.

Situada à luz do próprio Cristo, a Igreja precisa prolongar na história o mistério de sua encarnação. Como o Verbo de Deus assumiu a natureza humana, em Cristo, assim a Igreja de Cristo precisa ir assumindo as feições da humanidade. A encarnação é continuada na história pelo processo da inculturação do Evangelho. Cada cultura humana possibilita expressões novas e diferenciadas da única Igreja de Cristo. Assim completamos em nós o que falta ao Corpo de Cristo, como diz S. Paulo.

Os parâmetros básicos para realizar este projeto de uma Igreja unida na mesma fé mas diversa nas suas expressões humanas, foram colocados pelo próprio Cristo. Ele fundou sua Igreja sobre doze apóstolos, mas constituiu um deles como guardião da fidelidade de todos. "E tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos", falou ele a Pedro.

Pois bem, este projeto foi retomado pelo Concílio Vaticano Segundo, atualizando-o em termos históricos, reconhecendo ao mesmo tempo o "primado de Pedro" e a "colegialidade" dos bispos.  Isto é, a Igreja precisa ter sua expressão de unidade universal em torno de Pedro, e ao mesmo tempo precisa se concretizar em diferentes "Igrejas Particulares",  em torno dos bispos.

Sabemos da complexidade implicada na concretização deste amplo projeto de Igreja,  fundado na unidade e aberto à diversidade. Mas o caminho para reencontrar a unidade dos cristãos passa necessariamente por ele.  O Concílio Vaticano Segundo recolocou os fundamentos. Ou se avança por eles, ou será necessário realizar outro concílio, para retomar as grandes inspirações do Vaticano Segundo, junto com o impulso para concretizá-las.

No interior da Igreja Católica a unidade é afirmada com muita clareza e sem nenhuma contestação. Mas é preciso cuidar para que a preocupação pela unidade não impeça a necessária diversidade, e se transforme em asfixiante uniformidade.

Falta avançar na aplicação prática da colegialidade. Ela garante a unidade e possibilita a encarnação da Igreja nas diferentes realidades, para serem transformadas com a força do Evangelho.  Desta forma, o Evangelho de Cristo poderia revelar melhor sua fecundidade, produzindo novas expressões eclesiais. Assim, poderíamos ter muitas Igrejas, ao mesmo tempo unidas, superando o esfacelamento da unidade eclesial que infelizmente está se acentuando, sobretudo aqui no Brasil.

Se isto não é possível que aconteça de imediato, tanto mais nos sentimos nestes dias motivados a rezar pela unidade dos cristãos. Uma unidade de acordo com os generosos planos de Cristo, e não deformada por limitadas concepções humanas.

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