Investir na compra de dólares pode parecer um negócio apetitoso, mas ao longo do tempo, quem apostou na moeda norte-americana pode amargar pelo arrependimento de renunciar a um rendimento na ordem de 19% ao ano, como têm rendido os ativos lastreados pela taxa de juros brasileira, a Selic. A análise é do economista Alex Agostini, da corretora Global Invest. Segundo o executivo, "apesar de ser uma justificativa legítima, é sensato pensar que o BC está de fato preocupado com os efeitos negativos que a derrocada do dólar possa gerar para a economia brasileira".
- Um destes fatores seria a redução significativa na balança comercial que, por sua vez, será refletido no saldo em transações correntes, que é um indicador de solvência externa do país. Além disso, o efeito da valorização do Real sobre a inflação, principalmente aquela medida pelos IGPs, já foi sentido de forma ímpar. Ou seja, os IGPs registraram a maior seqüência de deflação da história: 5 meses consecutivos; com isso, houve forte redução da inércia inflacionária para 2006 dado que os IGPs são os indexadores dos reajustes de preços dos serviços administrados pelo governo (ex: telefonia e energia elétrica) e esses serviços representam aproximadamente 33% do IPCA - indicador utilizado para balizar o futuro da taxa de juros básica no país.
Para o economista, no entanto, é difícil, praticamente impossível, prever qual será a oscilação da moeda.
- É preciso comparar os fluxos. Quando é positivo, como temos observado, há a entrada muito dólar, sobra moeda no mercado e não há compradores suficientes. Logo o preço cai. Mas, certamente, se o BC não retornasse ao mercado cambial o dólar continuaria se desvalorizando frente ao real.