Documentos apreendidos pela Polícia Federal na investigação do propinoduto do DEM do Distrito Federal, o governador José Roberto Arruda (sem partido) confirma o gasto com panettones R$ 1,39 milhão. Ele alega ter recebido o dinheiro de empresários e aliados. Segundo a PF, os papéis, datados de 2004 a 2007, não passam de mera ficção contábil, produzida na tentativa de mascarar o recebimento e a distribuição do dinheiro ilícito
O valor, suficiente para comprar mais de 600 mil panettones nos supermercados de Brasília, de acordo com os documentos divulgados pela PF, chega a ser 26 vezes superior aos R$ 50 mil que Arruda aparece em vídeo recebendo dinheiro de Durval Barbosa, ex-secretário do Relações Institucionais do governo brasiliense. Ele seguiu com suas denúncias junto à PF e acrescentou que a campanha eleitoral do governador José Roberto Arruda (DEM-DF), em 2006, foi patrocinada pela propina das empresas fornecedoras, justificadas na compra dos panettones.
A PF investiga, ainda, se o esquema de financiamento da campanha teve início em 2004 e foi até 2006. Nas contas de Barbosa, o volume de propina superou os R$ 56 milhões ao longo desses últimos três anos. Advogado de Arruda, Nélio Machado, diz que os papéis apreendidos pela PF são autênticos e que as doações e a compra de panettones realmente aconteceram.