O fato de preencher os requisitos para obter a liberdade provisória, como bons antecedentes e residência fixa, aliado à fragilidade dos indícios, fez com que a prisão preventiva de Dario Morelli Filho, um dos presos na Operação Xeque-Mate da Polícia Federal, não fosse decretada. Com isso, ele foi liberado nesta quarta-feira, quando termina o prazo da prisão temporária. Na avaliação é do advogado de Morelli, Milton Fernando Talzi, seu cliente foi indiciado por falsidade ideológica, formação de quadrilha, exploração de jogo de azar e sonegação fiscal.
Também nesta quarta-feira, o juiz da 5ª Vara Federal de Campo Grande (MS), Dalton Igor Kita Conrado, decretou o fim da prisão preventiva de nove acusados de envolvimento com a máfia dos caça-níqueis, entre eles Nilton Cézar Servo, apontado como chefe quadrilha, desmontada pela Operação Xeque-Mate, da Polícia Federal.
Na terça-feira, Talzi havia apresentado um pedido à Justiça de Mato Grosso do Sul explicando que não tinha necessidade de Morelli ficar detido. O advogado diz que ainda é cedo para saber se Morelli será incluído na denúncia que poderá ser feita pelo procurador-geral da República, em função do inquérito, mas adianta que, se isso acontecer, ele acredita que seu cliente não deverá ser condenado.
- A estratégia da defesa é provar a verdade, que ele não era sócio, não tinha envolvimento com quadrilha alguma, falsidade ideológica alguma -, diz Talzi.
Dario Morelli, cujo filho de oito anos é afilhado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi incluído nas investigações da Operação Xeque-Mate após a Polícia Federal ter apurado que ele tem ligações com o ex-deputado estadual do Paraná Nilton Cezar Servo, apontado como o chefe do esquema de exploração de caça-níqueis. Segundo Talzi, a única ligação de Morelli com Servo foi ter sido contratado para administrar a casa de bingos de sua propriedade.