A façanha é realizada por meio de um robô, basicamente um iPad com câmera e microfone instalado sobre um par de rodas que o usuário pode controlar remotamente para se deslocar no espaço
Por Redação, com Sputnik Brasil - de Moscou:O ex-funcionário dos serviços secretos dos Estados Unidos Edward Snowden, asilado há três anos na Rússia, participa remota e raramente de eventos nos EUA, segundo relata a última edição da revista New York.
A façanha é realizada por meio de um robô, basicamente um iPad com câmera e microfone instalado sobre um par de rodas que o usuário pode controlar remotamente para se deslocar no espaço.
O dispositivo se chama BeamPro, mas no caso de Snowden é mais conhecido como Snowbot, união de "Snowden" com “robot“ (robô, em inglês). Graças ao brinquedo, que custa cerca de 14 mil dólares e atinge a altura de um homem de estatura média, o asilado político pode “andar” por corredores do outro lado do mundo, "falar" com diferentes pessoas e "ver" tudo o que se passa ao redor de seu duplo cibernético.
Quando não está “viajando” pelos EUA, o Snowbot costuma ficar em Nova York, no escritório da ONG União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês), cuja missão é "defender e preservar os direitos e liberdades individuais garantidas a cada pessoa neste país pela Constituição e leis dos Estados Unidos".
Agente FSB russo
O chefe do Ofício Federal para a Proteção da Constituição alemão, Hans-Georg Maassen, admite que Edward Snowden, que tornou públicos detalhes de vários programas que compõem o sistema de vigilância global da NSA americana, poderia ser um espião russo.
Por causa de revelação das atividades da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA), os serviços de inteligência alemães foram atingidos, seu trabalho se tornou um escândalo, disse o chefe do serviço secreto. No que refere ao papel de Edward Snowden, essas revelações poderiam beneficiar os serviços russos.
De acordo com o que ele afirmou, há "sinais de o Kremlin estar usando todas as oportunidades para desacreditar a Alemanha". "Neste caso, estamos a falar de desinformação, infiltração, influência, propaganda e tentativas de desmoralização. Essa atividade afeta até mesmo o Bundestag alemão", disse Maassen.
– Salta aos olhos a ausência de documentos revelados sobre países como a China e a Rússia, que são o principal alvo das operações da NSA. A atividade de Snowden é uma tentativa de desunir a Europa Ocidental e os EUA, a maior tentativa desde a Segunda Guerra Mundial – explicou Maassen.
Snowden respondeu na sua conta no Twitter:
– O fato de Maassen ser um agente do FSB ou do SVR (Serviço de Inteligência Estrangeiro russo) também ainda não está provado.
O político alemão André Hahn comenta a situação à agência russa de notícias Sputnik:
– Acho que isto é muito irresponsável da parte do chefe da inteligência interna alemã, dizer em sessão pública da Comissão Parlamentar de Inquérito do Bundestag, que Edward Snowden poderia ser um agente de inteligência russa e ser incapaz de fornecer a mínima prova ou mesmo alguma evidência. Acho que isto é uma calúnia completamente inaceitável.
Em junho de 2013, Snowden vazou aos jornais The Washington Post e The Guardian arquivos confidenciais sobre programas de cibervigilância global dos EUA e da Grã-Bretanha.
O americano fugiu para Hong Kong e depois para Moscou, onde passou várias semanas na zona de trânsito do aeroporto de Sheremetievo, até receber, em agosto de 2013, asilo por um ano do governo russo.
Em agosto de 2014, as autoridades renovaram sua permissão para ficar no país por mais três anos e também lhe concederam visto de residência, o que permite a Snowden se deslocar livremente pelo país, viajar ao estrangeiro e optar pela nacionalidade russa após cinco anos.