Rio de Janeiro, 03 de Setembro de 2026

Como e quando Dilma cairá

Por Celso Lungaretti - Parece que Dilma começa a reagir, mas não será tarde demais? Se cair, haverá quem a ajude para se levantar?

Terça, 07 de Julho de 2015 às 12:00, por: CdB
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Dilma começa a reagir mas pode ser tarde demais Se cair, haverá quem a ajude para se levantar? A queda é só questão de tempo
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Em abril de 1969, quando eu não passava de um jovem de 18 anos que lera alguns clássicos marxistas mas estava muito longe de saber discernir para onde os acontecimentos políticos se encaminhavam, participei como convidado do Congresso da Vanguarda Popular Revolucionária em Mongaguá (SP), representando meu grupo de oito secundaristas dispostos a ingressar na organização.
Na volta, já como integrante da VPR, fui surpreendido com a designação para criar e comandar um setor de Inteligência, absoluta novidade nos agrupamentos de esquerda e incumbência para a qual nada na vida me preparara.
Mas, com o entusiasmo característico da idade, mergulhei fundo nas minhas tarefas, inclusive a de, acompanhando o que saía na imprensa e complementando-o com as notícias censuradas e informações de bastidores que aliados jornalistas nos transmitiam, projetar cenários futuros. Com várias facções disputando o poder, era importantíssimo sabermos qual a correlação de forças no seio da ditadura, desdobramentos possíveis e consequências práticas (abrandamento ou radicalização, p. ex.).
Nossa luta foi esmagada, mas o hábito ficou, até porque também tem muita serventia no ofício de jornalista. Passei o resto da vida me aprofundando na interpretação dos cenários futuros, e quem acompanha meu trabalho sabe que geralmente acerto; como quando alertei que seria a maior roubada a Presidência da República caber a alguém de esquerda quando, por imposição dos poderosos do capitalismo, o governo seria obrigado a executar um ajuste fiscal de cunho neoliberal. Não deu outra, o PT está sendo destruído em função disto, muito mais do que pelos escândalos de corrupção.Então, os amigos agora me perguntam, preocupados, como e quando será o desfecho da crise brasileira.
Os abutres já se preparam para o ataque final
Eu diria que a possibilidade de começarmos 2016 com a Dilma na Presidência é muito pequena, quase nenhuma, pois a sua rejeição advém, principalmente:
  • da recessão que fustiga o povo brasileiro, empobrecendo-o e fazendo dispararem os índices de desemprego; e
  • do estelionato eleitoral, pois já caiu até para o povão a ficha de que a Dilma a todos iludiu quando prometeu não impor os rigores que a Marina Silva e o Aécio Neves imporiam.
Gritou "lobos!", os crédulos engoliram, só que ela também era loba. E propaganda enganosa costuma ter efeito bumerangue, ainda que retardado...
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O pior é que, em curto e médio prazos, a penúria só tende a aumentar; e a impopularidade presidencial, idem. Por causa deste sentimento hostil, as acusações da Operação Lava Jato causarão estrago cada vez maior, devendo finalmente desembocar num processo de impeachment.
Na hora da onça beber água, duvido que haja um terço de deputados federais ou de senadores dispostos a contrariar os humores do eleitorado defendendo o mandato de uma presidenta tão mal avaliada nas pesquisas de opinião. Fisiológica como sempre, a maioria votará de olho no próprio futuro político.
Resta à Dilma a opção de não conceder tal triunfo apoteótico à direita, renunciando enquanto é tempo.
Depois que se evidenciar para o cidadão comum que seu impedimento é inevitável, tal ato perderá muito em termos de valor simbólico. Se quiser salvar um pouco de sua imagem, tem de renunciar antes que a corda esteja apertando-lhe o pescoço.
É hora de pensarmos no que faremos depois
Um bônus imediato seria o esfriamento da campanha adversa de mídia, com a Operação Lava Jato deixando de ser trombeteada dia e noite. Há muito de artificial nesta ênfase desmedida.
E a maior vantagem: jogar toda a encrenca para o campo inimigo. Com o PT fora do Palácio do Planalto, é quase certo que caberá ao PSDB e ao PMDB administrarem a massa falida.
Não será fácil nem rapidamente que reerguerão a economia brasileira, tendo, portanto, de assumir por bom tempo o desagradável papel de vidraça, enquanto os petistas começarão a emergir do fundo do poço ao voltarem a ser estilingues.
Enfim, a escolha real que restou ao PT é a da hora de sair: pode fazer bom negócio se curvar-se à evidência dos fatos, mas afundará muito mais se teimar em ir contra uma maré já irresistível.
Quanto ao timing, eu chutaria que a direita continuará acumulando forças ao longo deste mês, pois o período é de férias escolares e consequente desmobilização das pessoas; e que botará seu bloco na rua, com força total, a partir de agosto, havendo grande chance de que o de 2015 venha mesmo a ser um mês do cachorro louco, como o de 1961.
Uma data a ser temida é o 16 de agosto, domingo em que haverá novos protestos contra o governo em escala nacional. Tudo que a direita estará precisando é de defunto(s) útil(eis), para servir(em) como ingrediente emocional, cereja do bolo da comoção nacional que lhe convém criar (na linha, p. ex., da morte dos estudantes MMDC em maio de 1932).
Se eu fosse o Lula, exortaria os militantes do PT, CUT, MST, MTST, etc., a ficarem bem longe da avenida Paulista e outros palcos das manifestações, para não correrem o risco de fazer o jogo do inimigo.

UMA DICA PARA VOCÊ NÃO CAIR, DILMA: MIRE-SE NO EXEMPLO DAQUELAS MULHERES DE ATENAS!

Dilma Rousseff garante à Folha de S. Paulo que não vai cair.
Mas, parece até agora não ter caído para ela a ficha de que só a reconquista do apoio popular evitará sua queda; e que são bem poucos os cidadãos comuns que vão mover uma palha para salvar uma presidenta subserviente às imposições  do capitalismo desumano e rapinante.
Alguém terá de cair, Dilma ou o estranho no ninho Joaquim Levy. A escolha cabe a ela. Tomara que, depois de tantos erros, acerte uma vez!
 
Para inspirá-la, sugiro a leitura de um artigo antológico do veteraníssimo Jânio de Freitas, das Folhas,  sobre a coragem e discernimento políticos do Syriza e do premiê Alexis Tsipras. Eles são tudo que o PT e Dilma precisam se tornar caso queiram escapar do impeachment anunciado.
Mire-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas, Dilma! Elas votaram com seus maridos exigindo respeito ao orgulho e raça de Atenas.
Celso Lungaretti, jornalista e escritor, foi resistente à ditadura militar ainda secundarista e participou da Vanguarda Popular Revolucionária. Preso e processado, escreveu o livro Náufrago da Utopia. Tem um ativo blog com esse mesmo título. Direto da Redação é um fórum de debates editado pelo jornalista Rui Martins.
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