A censura à internet na China pautou o dia inicial de reuniões da Comissão Coordenadora do COI em Pequim. O assunto desagrada as autoridades chinesas, mas os dirigentes dos Jogos Olímpicos não parecem dispostos a abrir mão do acesso livre à rede mundial de computadores.
– Discutimos e insistimos que a internet tem que estar aberta durante todo o período da realização da Olimpíada, disse o vice-presidente da Comissão, o australiano Kevan Gosper.
A rede é censurada na China, mas Pequim se comprometeu a liberá-la e dar liberdade de trabalho aos 30 mil jornalistas que cobrirão os Jogos em agosto.
– Nossa preocupação é que a imprensa seja capaz de trabalhar como nos Jogos passados. Posso dizer que os chineses entendem isso, disse Gosper.
A comissão é formada por um grupo de especialistas do COI que trabalha em conjunto com o Comitê Organizador de Pequim-2008. Estrangeiros acompanham, supervisionam e dão diretrizes para colocar o trabalho do comitê local em sintonia com as exigências do COI.
– Até agora, eles respeitaram os temas de acordo com as obrigações da cidade anfitriã. Não vemos razão de que eles dêem um passo atrás, disse Gosper, que citou acordos prévios de liberdade de imprensa durante os Jogos.
No cotidiano de jornalistas estrangeiros instalados na capital chinesa, o sistema que bloqueia a internet é apelidado de "Grande Muralha de Fogo" (Great Firewall, em inglês).
A China tem uma polícia cibernética que teria cerca de 30 mil integrantes que vasculham, filtram e censuram a rede mundial de computadores. Nenhuma página de sites populares, como Wikipedia ou Blogspot, pode ser acessada no país.
Ao se colocar nas opções de busca termos relacionados a "Tibete", por exemplo, tanto YouTube como Google são automaticamente bloqueados. Reportagens de publicações estrangeiras como The Economist, The Guardian e The Times sobre temas sensíveis ao governo chinês também são censurados.
A transmissão de canais a cabo no país, como CNN e BBC, acontece com atraso e saem do ar quando veiculados temas polêmicos.
Até 2006, jornalistas precisavam de permissão estatal para viajar pelo país, o que hoje ainda é exigido (e normalmente negado) em relação ao Tibete. Há poucos anos, os jornalistas precisavam pedir permissão para fazer entrevistas e teriam problemas ao ouvir gente na rua sem aval do governo.
Comitê Olímpico exige internet livre nas Olímpiadas
Quarta, 02 de Abril de 2008 às 06:54, por: CdB