Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

Comitê Internacional decide futuro do Fórum

Segunda, 24 de Janeiro de 2005 às 19:13, por: CdB

Em reunião que começou nessa segunda-feirae vai até terça-feira, o Comitê Internacional do Fórum Social decidirá o que será feito do evento nos próximos dois anos. Apesar dos apelos do governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, e do prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, Porto Alegre tem poucas chances de voltar a sediar o evento antes de 2009.

Há uma forte tendência entre as 129 organizações que compõe o Comitê Internacional a optar pela realização de fóruns continentais nos anos pares e de um fórum mundial a cada dois anos, nos anos ímpares.

O primeiro candidato a receber o encontro latino-americano, em 2006, é a Venezuela. Em 2007 há um consenso de que o Fórum Social Mundial deva ser promovido pela África. Mas as sedes só serão definidas em nova reunião do Comitê, prevista para março.

Alguns integrantes do Comitê Internacional consideram os próximos passos como uma necessidade identificada desde a primeira edição, a internacionalização do Fórum.

"A idéia é pulverizar", ressalta o diretor de relações internacionais da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), Sérgio Haddad, satisfeito pelo resultado que o Fórum obteve na Índia, em 2004, quando multiplicou a mobilização do movimento popular naquele país.

- O fórum é planetário, assim como a globalização, e não deve resumir sua luta a um lugar só - complementa Francisco Whitaker, da Comissão Brasileira Justiça e Paz.

O discurso de Whitaker e Haddad evita uma polêmica que ameaçou se instalar entre os organizadores do Fórum Social Mundial quando o PT perdeu a eleição para a prefeitura de Porto Alegre, em outubro do ano passado. À época, alguns integrantes do comitê defenderam a mudança do evento para outra cidade, porque Porto Alegre teria deixado de ser a referência de governos que se opõe ao neoliberalismo e que consultam as bases para elaborar o orçamento.

O novo prefeito, José Fogaça, manteve o orçamento participativo criado pelo PT e, ao saudar o Comitê Internacional nesta segunda-feira, disse que não vai medir esforços para ajudar o Fórum a ficar na cidade.

Ressaltou que a postura não se deve apenas ao movimento econômico e nem à projeção mundial que o Fórum dá a Porto Alegre.

- O Fórum é o símbolo da nova humanidade que desejamos construir - derreteu-se - No mundo que vem aí o mais importante é garantir o direito de se expressar, com tolerância e respeito.

A exemplo de Fogaça, o governador Rigotto já havia pedido, na abertura do Fórum Mundial dos Juízes, no domingo à noite, que o Fórum Social Mundial volte sempre a Porto Alegre. Haddad não vê problemas. A edição indiana, em 2004, foi feita em Mumbai, uma cidade governada pela direita.

- A troca de governo não pesa muito na nossa decisão - assegurou - O Fórum é voltado para a sociedade civil e não para os governos.

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