Uma semana após o fim da rebelião que resultou na morte de 30 presos e um agente penitenciário, os parlamentares da Comissão de Direitos Humanos da Alerj voltaram hoje à Casa de Custódia de Benfica. O objetivo da visita era fiscalizar se os detentos estavam recebendo tratamento adequado, conferir as condições das instalações e levantar dados concretos sobre quantos internos continuam no local.
Segundo o presidente da comissão, deputado Geraldo Moreira (PSB), a transferência de presos ligados às facções criminosas Terceiro Comando (TC) e Amigos dos Amigos (ADA) acalmou a situação. O parlamentar ressaltou, no entanto, que providências urgentes precisam ser tomadas.
"Ainda existem presos baleados aqui dentro. Muitos outros apresentam quadro de tuberculose avançada. Ficou claro que o local não pode abrigar uma casa de custódia. Não precisa ser especialista para ver isso. O lugar é rodeado de comunidades, de onde saem armas e drogas para os detentos. Muitas vezes esses objetos são jogados por cima do muro", explicou Geraldo Moreira, que também ressaltou o fato de os presos afirmarem que estão recebendo bom tratamento e que todas as exigências para o fim da rebelião foram cumpridas.
O vice-presidente da comissão, deputado Alessandro Calazans (PV), afirmou que vai encaminhar à Secretaria de Administração Penitenciária solicitação para que médicos sejam enviados à casa de detenção. "Há necessidade de envio imediato de um grupo de médicos para dar assistência aos detentos feridos por balas. Eles receberam apenas atendimento preliminar, mas precisam de tratamento adequado", disse Calazans.
Para o deputado Alessandro Molon (PT), a situação ainda é crítica, com problemas sérios de falta de higiene. "Existem diversas violações de direitos humanos na casa de custódia. Muitos presos estão até sem escovas de dente", contou o parlamentar. Molon também ressaltou que a obra para adaptação do antigo Batalhão de Polícia Militar em casa de custódia foi mal-feita.
Segundo dados do comando da casa de custódia, permanecem na carceragem 695 presos. Ainda não foi levantado quantos internos foram transferidos e nem para onde eles foram levados. O presidente da comissão enviou ofícios para a Secretaria de Administração Penitenciária a fim de saber todos os dados sobre detentos mortos, feridos, transferidos e os que permanecem na casa de custódia.
Na próxima quarta-feira, dia 9, às 10h, a comissão vai ouvir o depoimento do secretário Astério Pereira dos Santos sobre os fatos ocorridos durante a rebelião.