O Campeonato Mundial de Judô que acabou neste domingo deixou vitórias inesquecíveis e muitas reflexões a serem feitas pela comissão técnica da seleção brasileira de judô, na tarefa de traçar os caminhos a serem trilhados rumo a Pequim 2008. Do lado positivo e memorável está a melhor campanha da história do judô brasileiro em Mundiais, com o Brasil terminando em segundo lugar geral no quadro de medalhas, logo atrás do Japão que terminou com quatro ouros e bem na frente de França e Cuba, países tradicionais e fortes neste esporte em termos mundiais.
Do lado das reflexões, as constatações de que ainda existe muito a ser feito e trabalhado no processo de evolução da seleção como um todo. Um trabalho maior na equipe feminina, que vai precisar trabalhar mais para conseguir o ranqueamento necessário para garantir as vagas nas sete categorias do judô feminino nos Jogos Olímpicos de Pequim.
Para o coordenador técnico internacional da equipe brasileira, Ney Wilson, a estrutura montada para a disputa deste Mundial fez toda a diferença no desempenho da seleção brasileira de judô. De acordo com Ney Wilson, a equipe superou todas as expectativas que eram de conquista de três medalhas. No final, o Brasil acabou três ouros e um bronze, o que transformou esta competição em um Mundial histórico para o judô brasileiro, como enfatiza Ney Wilson.
- Tínhamos na seleção sete judocas credenciados, pois eram medalhistas olímpicos ou mundiais. No final acabamos com um bronze e três ouros. Essa campanha é histórica e mostra que estamos no caminho certo para os Jogos Olímpicos de Pequim no ano que vem. O que conquistamos aqui no Rio vai fazer com que a campanha brasileira esteja a frente de potências do judô como Japão, Holanda, Russia, Cuba entre outros. Vamos chegar à Pequim com uma equipe maravilhosa e, com certeza, a mais forte de todos os tempos. Pois jamais o Brasil teve em seu time três campeões mundiais - aponta o coordenador internacional.
O técnico da equipe masculina, o judoca veterano Luiz Shinohara também se confessou surpreso com o resultado final dos atletas brasileiros, já que não esperava tantas medalhas de ouro neste Mundial. Para Shinohara, o treinamento desenvolvido com a seleção brasileira rendeu os dividendos esperados, mas precisa ser reforçado para os jogos olímpicos.
- Vamos ter muito trabalho até a olimpíada para neutralizar essa pressão de lutar com tantos atletas consagrados. O Japão atravessa um momento muito difícil, que o Brasil já atravessou há alguns anos atrás. Fomos para a Europa e buscamos treinar o estilo de lutas dele e deu certo. Confesso que não é um judô bonito, mas é eficiente - afirma Luiz Shinohara.
Para a técnica da equipe feminina, Rosicléia Campos, os resultados alcançados neste Mundial mostram claramente que ainda há muito trabalho e esforço a ser feito nos próximos meses, mas que o saldo da competição deve ser considerado como positivo.
- Depois das sete medalhas nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, era natural que houvesse uma expectativa sobre o desempenho da equipe feminina no Mundial. Mas são duas competições completamente diferentes. No Mundial, o importante para nós era disputar o maior número de lutas possíveis e conseguimos fazer bons combates. Claro que havia expectativa sobre a Edinanci Silva e a Danielle Zangrando por serem medalhistas mundiais, mas as mais jovens também lutaram bem. Vimos a cada derrota o que podemos melhorar e a notícia boa é que temos muito o que trabalhar - comenta Rosicléia.
A técnica aponta que o objetivo principal para a equipe feminina agora é o de classificar as sete categorias do judô feminino para Pequim 2008. Na sua visão, as chances da equipe feminina são boas, já que a lacuna maior é na categoria de peso-pesado onde será preciso se esforçar para ficar entre as três primeiras do ranking continental que vai credenciar, em 2008, as judocas que vão para as Olimpíadas.