Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

Comissão sobre 11/9 vira fator político na eleição dos EUA

Sexta, 18 de Junho de 2004 às 13:37, por: CdB

As revelações da comissão que investiga os ataques de 11 de setembro de 2001 colocaram o presidente dos Estado Unidos, George W. Bush, na defensiva e se tornaram um importante fator político para as eleições presidenciais norte-americanas, que acontecem em novembro, disseram especialistas na sexta-feira.

"Ao longo do tempo, os relatórios da comissão ajudaram a minar a credibilidade de Bush. Essas questões serão centrais nos debates presidenciais", afirmou David Birdsell, um cientista político do Baruch College, em Nova York.

A comissão bipartidária divulgou um relatório durante suas audiências finais, esta semana, dizendo que não havia evidências de um "relacionamento de cooperação" entre o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein e a Al Qaeda, grupo responsabilizado pelos ataques de 11 de setembro a Nova York e Washington.

Bush, que recorreu a essa suposta ligação para justificar a guerra contra o Iraque, respondeu imediatamente, afirmando ter havido "numerosos contatos" entre Saddam e agentes da rede militante. A resposta foi reforçada por outros pesos-pesados da administração, como o vice-presidente Dick Cheney e a assessora para a segurança nacional, Condoleezza Rice.

A velocidade da reação reflete a situação de Bush, que luta em duas frentes: para defender sua conduta na guerra do Iraque e para proteger um dos maiores motes de sua campanha eleitoral, o de que ele é a melhor opção para garantir a segurança do país.

O candidato democrata à Presidência, o senador John Kerry, de Massachusetts, acusou Bush de iludir o público sobre a extensão das ligações do Iraque com o terrorismo.

Para Stuart Rothenberg, que dirige uma influente publicação política, os ataques e contra-ataques desta semana tendem a confirmar a opinião que muitos americanos já tinham sobre Bush. Mas ele afirmou que a opinião pública está mais sujeita ao que acontece de fato no Iraque.

"Estamos em um ponto em que os resultados valem mais que a retórica. Se a situação no Iraque parecer melhor até novembro e houver a impressão de que a administração está tendo sucesso, as questões sobre 11 de setembro terão menos peso", afirmou.

"Por outro lado, se parecer que estamos fracassando no Iraque, o público vai procurar motivos para criticar Bush, e vai adotar as críticas da comissão", disse Rothenberg.

O relatório definitivo da comissão será divulgado no fim de julho. Além de descobertas sobre a Al Qaeda, o painel detalhou falhas de inteligência anteriores aos ataques e o despreparo da defesa aérea dos EUA no dia fatídico.

Mas o texto final não deve ter efeito explosivo, já que as revelações vêm sendo divulgadas por relatórios frequentes nos últimos três meses.

Mesmo assim, o documento pode ocupar as manchetes por vários dias, perto da convenção democrática, quando todas as atenções vão estar voltadas para Kerry.

O ex-porta-voz da Casa Branca Mike McCurry, que ocupou o posto durante a administração do democrata Bill Clinton, acha que Bush está assumindo um grande risco. "Ao confrontar a comissão, eles transformam isso num assunto dominante, ao ponto de o Iraque se tornar cada vez mais a definição da Presidência Bush", afirmou.

O republicano Howard Opinsky, ex-porta-voz do senador JohnMcCain, disse que as atividades da comissão forçaram a campanha de Bush a se desviar de assuntos que queria ressaltar. A Casa Branca inicialmente se opôs à criação da comissão, mas depois passou a colaborar com ela.

"A Casa Branca está sendo obrigada a passar muito tempo explicando por que fez o que fez antes dos ataques e no dia 11 de setembro de 2001. Mas a comissão não será uma bala de prata para Kerry, e não vai decidir a campanha", afirmou.

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