A comissão que investiga os ataques de 11 de setembro de 2001 afirmou, na quarta-feira, que não encontrou nenhuma prova de que o Iraque tenha ajudado a Al Qaeda nos atentados contra Nova York e Washington, contrariando afirmações do governo Bush para justificar a guerra ao país árabe.
O relatório da comissão diz que o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, chegou a se reunir com uma importante autoridade da inteligência iraquiana em 1994 para analisar a possibilidade de cooperação, mas aparentemente os planos nunca se concretizaram.
Esta semana, o presidente George W. Bush e o vice-presidente Dick Cheney reiteraram seus argumentos para justificar a guerra contra o Iraque, afirmando que a conexão entre os iraquianos e a Al Qaeda representava uma ameaça inaceitável para os EUA.
"Não há nenhuma evidência convincente de que qualquer governo tenha apoiado financeiramente a Al Qaeda antes de 11 de setembro -- tirando o apoio limitado fornecido pelo Taliban quando Bin Laden chegou ao Afeganistão", afirmou o relatório da comissão.
O documento foi divulgado no início dos dois últimos dias de audiências públicas sobre os ataques, que mataram quase 3.000 pessoas. A comissão foi formada para analisar as falhas dos EUA na prevenção dos ataques e estudar o que pode ser feito para evitar novas ocorrências.
O relatório bate de frente com as declarações de Dick Cheney, que disse no início da semana que Saddam Hussein tinha "ligações estabelecidas há tempos" com a Al Qaeda. Na terça, Bush saiu em defesa de Cheney e citou a presença no Iraque do militante islâmico Abu Musab al-Zarqawi como a "maior evidência de uma conexão aos afiliados da Al Qaeda e à Al Qaeda".
Bush disse também que Saddam apoiava militantes como o líder palestino Abu Nidal.
Embora Cheney e outras autoridades tenham insinuado uma possível colaboração do Iraque nos ataques de 11 de setembro, Bush reconheceu depois da guerra que não havia evidências de tal cooperação.
O jornal The New York Times afirmou que um relatório preliminar da comissão descreve uma grande confusão no Pentágono no dia dos ataques. O texto afirma, segundo o jornal, que os procedimentos do Pentágono foram "inadequados sob todos os aspectos", e que autoridades despreparadas reagiram aos ataques com uma "tentativa apressada de criar uma defesa improvisada".
Num relatório intitulado "Perfil do Inimigo", a comissão afirmou também que a Al Qaeda mudou drasticamente desde os ataques de 11 de setembro, descentralizando-se, mas que ainda ajudava redes locais e que iria continuar tentando atacar os EUA para provocar mortes em massa.
"A Al Qaeda continua extremamente interessada em conduzir ataques químicos, radiológicos, biológicos ou nucleares", disse o relatório.
Segundo a comissão, o antraz é uma das ameaças mais imediatas. A Al Qaeda também pode tentar usar substâncias químicas industriais, ou ainda atacar uma indústria química ou um carregamento de materiais tóxicos.