Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Comissão diz que ligislação não protege terras brasileiras contra estrangeiros

Quinta, 06 de Março de 2008 às 09:18, por: CdB

O Brasil não dispõe de legislação que assegure o controle sobre as terras que estão sendo compradas ou arrendadas por estrangeiros, afirmou na última quarta-feira, Fernando Queiroz Oliveira, coordenador-geral de Defesa Institucional do Departamento de Polícia Federal. Ele participou de audiência pública conjunta sobre o tema promovida pelas Comissões de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) e de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), à qual também esteve presente o consultor da Advocacia-Geral da União (AGU) Ronaldo Jorge Araújo.

No mesmo sentido, o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, ressaltou a existência de lacunas na lei, dificultando a atuação do órgão. Destacou ainda o aumento do interesse de estrangeiros por terras no país, movidos por novas oportunidades de negócios, como a produção de biocombustíveis.

De acordo com Hackbart, não há informações disponíveis que permitam afirmar o número total de estabelecimentos rurais que estão nas mãos de estrangeiros. Conforme informou, estão registrados no Incra 5,5 milhões de hectares sob controle de estrangeiros, sendo 3,1 milhões de hectares na Amazônia.

Para a fiscalização das áreas rurais, Fernando Oliveira defendeu a criação de legislação que permita "uma atuação mais forte" da Polícia Federal, em especial na Amazônia. Ele lembrou denúncias de compra de terras por entidades estrangeiras na região amazônica, sob a argumentação de promover a proteção ambiental.

Como forma de reduzir os problemas, Ronaldo Araújo informou que poderão ser ampliadas as restrições legais para compra de terras por empresas brasileiras com controle estrangeiro, como resultado de estudo que está sendo coordenado pela Advocacia-Geral da União.

- É preciso dotar o Estado brasileiro de instrumentos legais na defesa das questões estratégicas e que merecem regramento - opinou.

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