Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Comissão de Justiça e Paz denuncia entrada de paramilitares em comunidades afrodescendentes

Quarta, 29 de Junho de 2011 às 12:21, por: CdB

Grupos paramilitares continuam a perseguir e ameaçar comunidades afrodescendentes de Curbaradó e Jiguamiandó, localizadas no noroeste da Colômbia. De acordo com informações da Comissão Intereclesial de Justiça e Paz, 39 lideranças da região já estão na mira dos paramilitares.

O caso mais recente ocorreu na última segunda-feira (27) com Nevis Yanes, membro do Conselho Menor de Buenavista e morador da Zona Humanitária El Tesoro. Segundo o comunicado da Comissão, Yanes sofreu ameaças através de uma mensagem de texto no celular por ter denunciado atividades ilegais no território de Curbaradó e Jiguamiandó.

No mesmo dia, a Comissão de Justiça e Paz recebeu notícias de que habitantes do Conselho Comunitário de Jiguamiandó foram abordados por paramilitares, os quais afirmaram que em breve iriam para a Zona Humanitária de Pueblo Nuevo. "De acordo com a versão, os paramilitares, vestidos de civil, com armas longas e curtas, se encontravam em estado de embriaguez. Repetiram os anúncios dos dias anteriores da importância do cultivo de coca”, ressaltou.

No dia anterior, as ameaças dos paramilitares caíram sobre Elisa Norio, defensora de direitos humanos, e Richard Guarahona e sua esposa, Manuela Santana, membros da Zona Humanitária Nueva Esperanza. Os três sofreram intimidações quando tentavam retirar o grupo invasor do local. Apesar de o Governo nacional ter sido informado da presença de paramilitares na região, informações da Comissão revelam que não houve qualquer "reação da força pública”.

As ameaças e as perseguições de grupos paramilitares contra as lideranças das Zonas Humanitárias de Nueva Esperanza e de El Tesoro aumentaram a partir de abril deste ano. De acordo com comunicado da Comissão Intereclesial de Justiça e Paz, cerca de 200 paramilitares estão nos territórios oferecendo dinheiro aos moradores que participarem do grupo ou que cultivarem coca. Além do assédio dos paramilitares, as comunidades ainda sofrem com a ocupação de suas terras para atividades ligadas ao agronegócio.

"Nossa Censura Ética ante a falta de ação, a ausência de medidas efetivas de prevenção e de reação imediata. Desde abril passado, são mais de 30 integrantes dos conselhos comunitários que habitam nas Zonas Humanitárias e nas Zonas de Biodiversidade de Curbaradó e Jiguamiandó com ameaça de morte direta listadas nos anúncios de ataques e que são alvos militares dos paramilitares. É evidente a ausência de garantias para o exercício legítimo da livre expressão, da livre associação, da liberdade para o uso do solo”, considerou a Comissão.

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