A Comissão Especial que analisa o projeto das Parcerias Público-Privadas na Câmara adiou para esta quarta-feira, às 10 horas, a votação do substitutivo do relator, deputado Paulo Bernardo (PT-PR). Ontem, o relator apresentou novas alterações ao texto que, segundo ele, buscam consenso.
A principal modificação foi no artigo 8º do substitutivo. O artigo determinava que o pagamento dos contratos das Parcerias Público-Privadas teriam precedência em relação às demais obrigações contratuais da Administração Pública. A exceção seriam os contratos de fornecimento de pessoal ou celebrados no âmbito do Sistema Único de Saúde para aquisição de insumos médico-hospitalares, além daqueles decorrentes de situações emergenciais que representem risco à vida.
Com a alteração, os contratos de Parcerias Público-Privadas só terão precedência em relação a outras obras públicas, ou seja, a contratos celebrados sob o regime da Lei 8.666/93, a Lei das Licitações. "Se estiverem em construção duas estradas, por exemplo, a obra que for contratada pelo regime de parceria terá prioridade no pagamento pela Administração Pública", explicou o relator.
Em outra modificação, Bernardo introduziu no texto a exigência de audiência pública para debater a necessidade de cada obra, com antecedência mínima de 30 dias do lançamento do edital. No substitutivo anterior, estava prevista apenas uma consulta pública.
O parlamentar também alterou o artigo 12 do projeto, retirando a palavra "financeira" das obrigações decorrentes da Parceria Pública-Privada. Segundo Paulo Bernardo, essa alteração irá permitir maior mobilidade financeira para que pequenos municípios possam firmar acordos no âmbito da PPP.
Polêmica
Parlamentares criticaram o substitutivo por ter permitido que empresas de economia mista e outras entidades controladas pela União possam participar dos contratos de parceria. A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) disse que o projeto levará à privatização de empresas de saneamento. Ela citou o exemplo da água, um bem essencial que, em sua opinião, não pode ser gerenciado por empresas privadas, que têm como única meta econômica o lucro.
O relator garantiu que as Parcerias Público-Privadas não facilitarão privatizações em nenhum setor. Segundo ele, os contratos não interferem nas concessões de serviços públicos nem no funcionamento das agências reguladoras.
Comissão busca consenso para votar PPP
Quarta, 18 de Fevereiro de 2004 às 06:48, por: CdB