A comissão externa que averigua a morte de crianças indígenas por desnutrição nos estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul reúne-se na Câmara dos Deputados, nesta terça-feira, para debater a elaboração do relatório dos trabalhos.
Terras e políticas públicas
O coordenador da Comissão de Saúde Indígena da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Alexandre Padilha, citou, em audiência pública na comissão, duas causas para a morte de crianças indígenas em Dourados (MS): a escassez de terras, que leva à falta de condições de subsistência, e a falta de qualificação dos profissionais do Hospital da Mulher, onde as mortes ocorreram.
O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Mércio Gomes, que também foi ouvido pela comissão, acredita que o problema de Dourados seja uma conseqüência de políticas indigenistas equivocadas ao longo dos anos. Entre outros pontos, citou que em Dourados 11,5 mil guaranis-caiuás ocupam 3.540 hectares, enquanto 4,5 mil índios caiapós ocupam uma área de 12 milhões de hectares.