Integrantes das comissões de Minas e Energia e da Amazônia realizaram audiência pública na manhã desta quarta-feira para discutir os conflitos ocorridos em Rondônia envolvendo garimpeiros e índios cintas-largas. A comissão vai analisar também as denúncias do cacique Pio Cinta Larga à imprensa local, de que as armas utilizadas para matar os garimpeiros foram vendidas por agentes da Polícia Federal.
Participaram dos debates o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda; o governador de Rondônia, Ivo Cassol; o diretor-geral do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Miguel Antônio Cedraz Nery; o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Mércio Pereira Gomes; e um representante dos garimpeiros de Rondônia.
No dia 7 de abril, 29 garimpeiros envolvidos na extração ilegal de diamantes foram assassinados por índios cintas-largas dentro da reserva indígena Roosevelt, em Espigão do Oeste, a 580 quilômetros de Porto Velho (RO). Grandes empresários do garimpo que atuam dentro da reserva estariam utilizando pistas de pouso da Funai para transportar os diamantes e teriam estreitas relações com alguns chefes indígenas.
As denúncias foram feitas pelo bispo de Ji-Paraná (RO), dom Antônio Possamai, a um grupo de jornalistas durante a 42ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Indaiatuba (SP), na semana passada. O bispo disse também que os 29 mortos são pequenos garimpeiros cuja presença na região estaria ferindo os interesses dos grandes empresários.
A audiência foi pedida pelos presidentes da comissões de Minas e Energia, deputado João Pizzolatti (PP-SC), e da Amazônia, deputado Júnior Betão (PPS-AC). Betão informa que a Reserva Roosevelt abriga a maior jazida de diamante azul do mundo e explica que "há muitos interesses diversos que acabam se chocando".
- Existem os oportunistas que estão lá apenas para explorar e extorquir, os que promovem jogos de interesses e os que estão para trabalhar - afirma o deputado.
O parlamentar alerta ainda que o conflito pode servir de estopim para confrontos em outras reservas que também possuem jazidas minerais. Betão defende a aprovação de um projeto de lei que regule a extração de minérios em reservas indígenas.
- Do jeito que está, quem se beneficia são apenas os exploradores e contrabandistas. Os índios, a região e o país não estão lucrando com suas riquezas minerais - diz Betão.