Rio de Janeiro, 08 de Outubro de 2026

Comércio varejista sente o peso da crise

Os efeitos da crise mundial se ampliaram sobre o comércio varejista nacional em novembro do ano passado, quando o volume de vendas registrou uma queda de 0,7% ante outubro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As vendas já tinham caído 0,9% outubro, segundo dados revisados do IBGE. Essa foi a primeira vez em quase 3 anos que as vendas caíram por dois mês consecutivos. Setor automobilístico vive 'cenário de horror', segundo analista

Sexta, 16 de Janeiro de 2009 às 10:39, por: CdB

Os efeitos da crise mundial se ampliaram sobre o comércio varejista nacional em novembro do ano passado, quando o volume de vendas registrou uma queda de 0,7% ante outubro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As vendas já tinham caído 0,9% outubro, segundo dados revisados do IBGE. Essa foi a primeira vez em quase 3 anos que as vendas caíram por dois mês consecutivos.

Em relação a novembro do ano passada, as vendas subiram 5,1%, a taxa mais baixa desde julho de 2006 e o pior novembro desde 2005.

– A virada do comércio por conta da crise ocorreu em outubro e a situação piorou em novembro com queda sazonal e forte desaceleração anual – disse a jornalistas o coordenador da pesquisa mensal de comércio do IBGE, Nilo Lopes de Macedo.

Os setores que mais reduziram as vendas em novembro estão ligados ao crédito, que foi bastante abalado pelo agravamento da crise mundial. Os segmentos de Móveis e eletrodomésticos e Equipamentos de informática, alavancas da expansão do comércio antes da crise, tiveram quedas expressivas de 3,3% e 9,8%, respectivamente, sobre outubro.

– Dá para observar que os setores mais sensíveis ao crédito foram os mais penalizados (pela crise) nesses dois meses de queda no indicador sazonal. O crédito foi um elemento chave para o comércio em 2008. A renda era um fator secundário, mas com o crédito mais restrito por conta do cenário, a renda passou a ser preponderante – afirmou Macedo.

Na comparação com novembro de 2007, a queda de 8,7% do segmento de Tecidos foi o primeiro resultado negativo para uma das 8 atividades pesquisadas pelo IBGE em quase dois anos.

– Houve uma mudança de patamar e uma desacelaração siginificativa – afirmou Macedo.

No ano e em 12 meses, o comércio varejsita nacional soma 9,8%, resultado pouco acima do crescimento de 2007, que foi de 9,7%.

– Ainda são sabemos se 2008 vai ficar abaixo de 2007 porque dezembro foi um mês de crise, ainda, mas teve também o Natal – frisou Macedo.

Dados negativos

No mês de novembro, o comércio varejista ampliado, que pesquisa 10 setores, apresentou dados bem mais negativos que o outro dado, que investiga oito segmentos. A queda do comércio varejista ampliado, que inclui os setores de véiculo, motos e peças e de material de construção, foi de 3,4% entre outubro e novembro. No confronto com novembro de 2007, as vendas diminuíram 4,1%, pior resultado desde o início da série em 2005.

O segmento de véiculos e motos foi a âncora para a queda recorde. As vendas caíram 20,3% ante novembro de 2007, o pior desempenho abril de 2003.

– O impacto foi muito forte nesse cenário de horror... até setembro era um segmento com contribuição significativa para o comércio – disse Macedo.

Ele lembrou na comparação entre os meses de novembro o crédito para a aquisição de veículos no país caiu 62,85% e, os juros para a compra de carros subiram 27,41%, de acordo com dados do Banco Central.

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