Roberto Azevedo é o secretario-geral da OMC
A Organização Mundial do Comércio revisou, nesta segunda-feira, sua estimativa para o crescimento do comércio global de bens em 2014 ligeiramente para cima, a 4,7%, mas afirmou não esperar que a expansão retorne à tendência histórica de 5,3% até 2015.
– Se as estimativas de PIB se confirmarem, esperamos uma melhora generalizada, mas modesta, no volume do comércio mundial em 2014 e maior consolidação desse crescimento em 2015 – disse o diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo.
Embora a estimativa para 2014 represente um cenário melhor do que a expansão de 4,5% que a OMC esperava quando fez sua projeção anterior em setembro, ela ainda é mais negativa que suas previsões um ano atrás, pois a recuperação econômica da União Europeia demorou mais que o esperado para se concretizar.
– A demanda da UE tem pesado sobre as importações mundiais nos últimos anos, mas está começando a mudar de direção. Estaremos observando atentamente para ver se a recuperação na UE decepciona – disse o economista da OMC, Coleman Nee.
O executivo disse que não está claro se o comércio parou permanentemente de crescer ao dobro da velocidade do PIB, que era a tendência até a crise econômica mundial. Ele disse que 80% das políticas protecionistas impostas desde 2008 ainda estão ativas mas que espera que elas sejam removidas à medida que o crescimento econômico melhore.
– Não está no nível, nem mesmo perto do nível, que tínhamos após a crise de 1929. Mas é mensurável e lamentável – disse.
A OMC não faz projeções futuras sobre o comércio em serviços, mas disse que o valor em dólares da exportação global de serviços cresceu 6% para US$ 4,6 trilhões em 2013, ante um crescimento de 2% em 2012.
Zona do euro
Na Europa, a produção nas fábricas subiu em linha com as expectativas em fevereiro, impulsionada pela fabricação de bens intermediários e não duráveis, de acordo com dados da agência de estatísticas da União Europeia, Eurostat, divulgados nesta segunda-feira.
A produção industrial nos 18 países que usam a moeda única avançou 0,2% na comparação mensal, em linha com as expectativas, após o dado revisado de janeiro mostrar estabilidade, de acordo com a Eurostat. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a produção industrial avançou 1,7% em fevereiro, ligeiramente acima das expectativas de analistas consultados pela Reuters, que viam um aumento de 1,5%, após crescimento revisado para baixo de 1,6% em janeiro.
A alta mensal deve-se ao crescimento de 0,6% na produção de bens intermediários, enquanto a fabricação de bens ao consumidor não duráveis avançou 0,5%, de acordo com a Eurostat. A produção de bens de capital no bloco permaneceu estável no segundo mês do ano, com a produção de bens duráveis recuando 1,2% no mês e a produção de energia caindo 1,7%.
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