De um lado, o Protocolo de Cartagena, criado em 1995 para garantir a segurança da biodiversidade e dos seres humanos em relação aos alimentos transgênicos; de outro, organismos comerciais e empresas multinacionais que desejam rapidamente beneficiarem-se dos lucros que tais organismos geneticamente modificados (OGM) possam causar. O mundo, conforme mostrou o seminário “Comércio Internacional de OGM”, ainda tem muitas dúvidas e nenhum consenso sobre o assunto.
O seminário, último a ocorrer durante a 11ª Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento, a Unctad, deu uma pequena amostra da quantidade de divergências que existem entre os vários organismos que trabalham com o assunto. Desde a organização religiosa Holy See (Olhar Sagrado, em tradução livre), representada pelo pontífice J. Reinert, até instituições científicas, econômicas, de biosegurança e o próprio secretário-geral da Unctad, Rubens Ricupero, todos apresentaram suas posições sobre o assunto.
Divergências:
A Embrapa, por exemplo, representada pelo diretor do departamento de pesquisas Eugênio França, mostrou o quanto o Brasil ganha e quantos milhões de reais poderia perder caso deixasse de lado a produção de transgênicos.
O representante da Comissão Econômica para América Latina e Caribe, a CEPAL, César Morales, advertiu para os riscos para a perda da biodiversidade nos países em que os transgênicos são desenvolvidos.
- Um hectare da floresta amazônica tem mais biodiversidade do que a Europa inteira. Somente no Brasil vivem 7,4% de todas as espécies do mundo - revelou.
Ambientalistas defendem que o gene desenvolvido em laboratório acabará exterminando espécies naturais, uma vez que sobreviverá com maior facilidade.
Presente também no seminário, o professor da universidade norte-americana de Harvard, Calestous Juma, questionou o uso dessa tecnologia para fins que não tragam “benefícios reais”. Citou, como exemplo, um grande debate que existe atualmente na Califórnia, onde foram desenvolvidos peixes ornamentais que brilham no escuro.