Rio de Janeiro, 16 de Agosto de 2026

Comércio bilateral gera tensões entre Brasil e China

O comércio bilateral entre Brasil e China vem ganhando força e trouxe muitos benefícios às duas economias, mas também causou crescentes pressões sobre o setor manufatureiro para competir com as importações chinesas.

Quinta, 03 de Fevereiro de 2011 às 11:08, por: CdB
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O comércio bilateral entre Brasil e China vem ganhando força e trouxe muitos benefícios às duas economias, mas também causou crescentes pressões sobre o setor manufatureiro para competir com as importações chinesas. Poucos meses atrás, Brasil e China pareciam fadados a formar uma das alianças definidoras deste início de século - duas economias emergentes com rápido crescimento, posicionando-se lado a lado em questões globais como negociações comerciais, e buscando sempre novas oportunidades de negócios conjuntos. Mas não é assim que tem funcionado. Segundo fontes de alto escalão do governo brasileiro, devem aumentar as tarifas dirigidas para produtos industrializados procedentes da China, além de uma fiscalização mais rígida nas alfândegas, e também mais processos antidumping. Também é possível que sejam adotadas novas regras para mineradoras estrangeiras, dizem as autoridades, refletindo os temores de que a China desejaria consolidar seu controle sobre as riquezas minerais brasileiras, sem oferecer em contrapartida acesso suficiente ao seu próprio mercado. Redefinir a relação com a China é algo mais fácil na retórica do que na prática. Assim como os EUA sofreram para se equilibrar entre a pressão por um iuan mais valorizado e o desejo de importar produtos baratos e receber financiamento da China, o Brasil também precisa rever o emaranhado de dependência que se criou rapidamente na última década. O comércio bilateral disparou de pouco mais de US$ 2 bilhões em 2000 para US$ 56,2 bilhões em 2010. A China superou os EUA como maior parceiro comercial do Brasil, e no ano passado foi também a principal origem individual de investimentos estrangeiros diretos, com cerca de US$ 17 bilhões. O robusto crescimento comercial ajudou a economia brasileira a alcançar no ano passado o seu crescimento mais expressivo em duas décadas. E significa também que eventuais esforços do governo brasileiro para aprovar medidas protecionistas podem ser infrutíferas, segundo Qiu Xiaoqi, embaixador da China em Brasília. O Brasil teria déficit se não fosse por um extraordinário aumento no preço do minério de ferro, que responde por 40% das exportações do país para a China. No geral, as exportações do Brasil para a China em termos de peso - o que elimina distorções causadas pelo aumento nos preços das commodities - caíram 3% em 2010, enquanto as importações de produtos chineses cresceram 89%. Muitas indústrias brasileiras ficaram de fora do "boom" econômico do ano passado, e disso decorre grande parte do sentimento antichinês. A produção industrial está estável ou em queda desde abril. O dano em áreas como produtos têxteis e calçados foi tamanho que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou para o risco de "desindustrialização". A nova postura do governo reflete sua ênfase em estimular a indústria local, enquanto a política comercial do governo anterior era ditada em parte por seu sonho de uma aliança grandiosa entre nações em desenvolvimento. Ainda assim, alguns executivos que fazem negócios nos dois países temem que a China esteja sendo usada como bode expiatório para problemas do próprio Brasil. Abaixo estão alguns fatos sobre o comércio entre os dois mercados emergentes: * Mais de três quartos das exportações do Brasil à China são de apenas três commodities --minério de ferro, soja e petróleo bruto. No total, as matérias primas formam 84% do total de exportações do Brasil em 2010, ante 79% no ano anterior. * Já as importações chinesas no Brasil são uma lista diversificada de produtos manufaturados de alto padrão: os três principais foram televisões, telas LCD e telefones. Esse tipo de produto forma 98% das importações chinesas no Brasil. * Parte dos problemas comerciais do Brasil podem ser atribuídos à recente alta do real. No entanto, o valor da moeda ante o iuan chinês mudou pouco nos últimos 12 meses. * Dos 140 casos de anti-dumping abertos pelo Brasil nos primeiros 9 meses de 2010, mais de um terço foram contra a China. O novo governo da presidente Dilma Rousseff prometeu elevar o número de casos do tipo contra a China. * O Brasil perdeu sua participação de mercado para a China entre seus principais parceiros comerciais, como a Argentina. O país foi responsável por 31,6% das importações da Argentina em 2010, ante 35,8% em 2005. Já a fatia da China quase triplicou no mesmo período, para 12,7%
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