Rio de Janeiro, 18 de Outubro de 2026

Comentário sobre batom dá colorido à campanha nos EUA

O candidato republicano à Presidência dos EUA, John McCain, acusou na quarta-feira o seu rival Barack Obama de fazer ataques machistas contra a candidata a vice Sarah Palin, enquanto o democrata reagiu apontando "mentiras e ultraje fingido" dos seus adversários.(Leia Mais)

Quinta, 11 de Setembro de 2008 às 06:52, por: CdB

O candidato republicano à Presidência dos EUA, John McCain, acusou na quarta-feira o seu rival Barack Obama de fazer ataques machistas contra a candidata a vice Sarah Palin, enquanto o democrata reagiu apontando "mentiras e ultraje fingido" dos seus adversários.

Num momento em que as pesquisas valorizam a disputa pelo voto feminino, McCain lançou um anúncio na Internet dizendo que Obama estava se referindo a Palin quando, na terça-feira, disse que as reformas prometidas pelos republicanos eram iguais a passar "batom num porco".

No seu discurso deste mês na convenção republicana, a até então desconhecida governadora do Alasca disse que a única diferença entre uma mãe de família como ela e um pitbull era o batom.
O anúncio de McCain junta as declarações de Palin e Obama sobre batom, e então corta para um comentário da jornalista Katie Couric, da CBS News, sobre o "papel contínuo e aceito do machismo na vida americana".

A publicidade republicana termina com dois letreiros cruzando a tela: "Pronto para liderar? Não", "Pronto para difamar? Sim".

Obama encarou a polêmica durante um ato de campanha em Norfolk.

– O que a campanha deles fez de manhã é o mesmo jogo que deixa as pessoas cansadas da política neste país. Eles tentam pegar um comentário inocente, tentam tirá-lo do contexto, lançam um anúncio ultrajante porque sabem que isso é uma isca para a imprensa – disse.

– Não ligo para o que dizem de mim, mas amo demais este país para deixar que eles dominem outra eleição com mentiras, ultraje fingido e com a 'política do Swift-boat – disse Obama,
referindo-se a um anúncio de 2004 em que um ex-colega de John Kerry na Guerra do Vietnã, capitão de uma embarcação do tipo Swift-boat, difamava o então candidato democrata.

Linda Douglass, porta-voz de Obama, disse que o contexto das declarações de terça-feira deixa claro que o candidato não estava se referindo a Palin, muito menos chamando-a de porca.

Efeito Palin

A CBS News disse que o comentário de Couric, feito há três meses a propósito da candidatura de Hillary Clinton, será retirado do site YouTube por constituir uma violação de copyright. A campanha de McCain negou que haja violação e disse que a peça permanecerá no site do candidato.

As pesquisas mostram que, desde a indicação de Palin como candidata a vice, McCain experimentou forte crescimento junto ao eleitorado feminino, o que o ajudou a assumir uma ligeira vantagem sobre Obama na maioria dos levantamentos.

Na quarta-feira, cerca de 23 mil pessoas assistiram a um comício da dupla McCain-Palin em Fairfax, Virgínia. Sem se abalar com as acusações de machismo, a campanha de Obama adotou a estratégia de tentar desacreditar as credenciais reformistas que ela alardeia como governadora do Alasca.

Democratas do Estado, como o ex-governador Tony Knowles, manifestaram dúvidas sobre se ela realmente se opôs à construção de uma polêmica ponte que se tornou símbolo de desperdício, ou então questionaram suas razões para exonerar um policial.

– Você pode passar batom num porco. Continua sendo um porco. Pode embrulhar peixe velho em um pedaço de papel chamado mudança. Vai continuar fedendo – disse Obama na terça-feira, arrancando risos da platéia ao ironizar o suposto reformismo de seus rivais.

O próprio McCain já havia usado a expressão "passar batom no porco" para se referir ao plano de Clinton para a saúde. A expressão já entrou de vez para o vocabulário político de Washington. Torie Clarke, ex-assessora de imprensa do Pentágono e consultora de McCain, é autora de um livro chamado Batom no Porco: Vencendo na Era da Transparência, por Alguém que Conhece o Jogo.

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