A homenagem ao centenário do América não foi suficiente para fazer a Unidos da Ponte retornar ao Grupo de Acesso A do carnaval do Rio de Janeiro. A escola de samba de São João de Meriti, que apresentou o enredo 'Hei de torcer, torcer, torcer... América, cem anos de paixão', acabou em quinto lugar no Grupo de Acesso B, onde permanecerá por mais um ano.
O resultado manteve uma infeliz tradição: nenhuma escola que decidiu celebrar os cem anos de clubes cariocas obteve sucesso na avenida.
A primeira experiência negativa ocorreu com a Estácio de Sá, em 1995. Com um enredo que comemorava o centenário rubro-negro ('Uma vez Flamengo...'), a escola acabou em sétimo lugar no Grupo Especial. À distância, porém, se comparado com o atual momento da Estácio - rebaixada para o Grupo de Acesso B - e com as outras agremiações que escolheram enredos relacionados aos clubes do Rio, o resultado até que não foi dos piores.
Em 1998, a Unidos da Tijuca, vice-campeão do carnaval em 2004, acabou rebaixada após terminar na 13ª colocação do Grupo Especial com um enredo sobre os cem anos do Vasco: 'De Gama a Vasco, a epopéia da Tijuca'. Em 2003, a Acadêmicos da Rocinha decidiu homenagear o centenário do Fluminense, mesmo com um ano de atraso.
'Nas asas da realização entre glórias e Tradições. A Rocinha faz a Festa dos cem anos de um clube campeão. Sou Tricolor de Coração!'. O enredo com nome gigantesco por pouco não levou a escola embora do Grupo de Acesso A, em que terminou em oitavo entre dez concorrentes.
Este ano, a Unidos da Ponte apostou numa ligação quase familiar com o América, time do pai da presidente da escola, Patrícia Tessier. Mas nem o apoio dos torcedores, os 1.300 componentes no Sambódromo ou a comissão de frente com simpáticos diabinhos - mascote do clube - conseguiram levar a Ponte além do quinto lugar. Para os americanos, porém, a simples lembrança do aniversário foi um prêmio.
- Foi uma homenagem perfeita, por se tratar de uma escola simples, mas muito competentes. Estamos muito felizes por termos sido escolhidos como enredo. É uma parceria para sempre - comemorava o presidente do América, Reginaldo Mathias, antes do desfile da última terça-feira.
O único dos tradicionais clubes do Rio que não teve seu centenário lembrado foi o Botafogo. No assunto carnaval, quem acabou levando a melhor sobre os concorrentes foi o Bangu, lembrado pela pequena 'Unidos de Padre Miguel'. A escola ficou em segundo lugar no Grupo de Acesso E, o último do Rio, cujo desfile ocorreu na última terça-feira, na Estrada Intendente Magalhães, no Campinho, e subiu para o Acesso D.
A escola desfilou com um enredo em homenagem ao bairro de Bangu e também ao clube de Moça Bonita, que faz cem anos em 2004: 'Bangu, glórias em séculos de histórias'.
Comemorar centenário de time de futebol não traz sorte às escolas de samba
Sexta, 27 de Fevereiro de 2004 às 01:15, por: CdB