Rio de Janeiro, 27 de Março de 2026

Comemoração de Cosme e Damião fez a festa da criançada

A comemoração dos santos gêmeos São Cosme e São Damião seguiu a tradição e foi brindada com muitos doces para a criançada nesta quarta-feira. (Leia Mais)

Quarta, 27 de Setembro de 2006 às 09:30, por: CdB

A comemoração dos santos gêmeos São Cosme e São Damião seguiu a tradição e foi brindada com muitos doces para a criançada nesta quarta-feira. Na Zona Sul do Rio, na Praça Paris, entre os bairros Glória e Catete, até um palanque foi montado para a distribuição de guloseimas.

Desde cedo, mais de 100 pessoas, entre mãe e crianças, formaram uma fila na praça na espera da liberação dos tradiocionais saquinhos recheados de balas e doces, como pé de moleque, maria mole, suspiro, doce de abóbora e cocada. Meninos e meninas, que estavam agitados e ansiosos enquanto aguardavam, fizeram a festa e se lambusaram com as gulodices.

As festas de Cosme e Damião, cuja data festiva no calendário litúrgico ocorre em 27 de setembro, acontecem de forma mais sincrética, envolvendo católicos, umbandistas, candom- blesistas e cidadãos sem identidade confessional de todas as classes sociais.


A história

São Cosme e São Damião são dois santos orientais, provavelmente martirizados em Egéia, Cilícia, Ásia Menor, região da atual Turquia, a 27 de setembro de 287, durante a perseguição do imperador Diocleciano (284-305).

Historicamente, pouco se sabe sobre a vida destes dois irmãos médicos e, segundo a tradição, gêmeos. Seus restos mortais foram levados para Roma, durante o pontificado de João Félix, e depositados na igreja que tem seus nomes.

Seu culto divulgou-se intensamente pela Europa, principalmente na Itália, Flandres, França, Espanha e Portugal, onde várias igrejas foram construídas sob seu patronato. Considerados protetores dos cirugiões, eram padroeiros de diversas confrarias.

Estão ligados aos cultos dos deuses da reprodução, fecundação, germinação e moléstias sexuais. No Brasil, estão mais dedicados à defender da fome, das doenças do sexo e dos partos de gêmeos.

No sincretismo religioso, os jeje-nagôs os identificaram como os orixás gêmeos sudaneses Ibeiji, que são a divinização do parto duplo. No seu dia oblacional, recebem festas também no candomblé, com ofertas de alimentos e reunião de amigos para danças, comidas e bebidas.

Em grego são chamados de anargiros, o que significa sem dinheiro, por nunca receberem dinheiro em troca de seus serviços. Curavam não somente pessoas, mas também animais.

Conta a tradição popular que um dia, São Damião aceitou uma pequena oferta de uma mulher chamada Paládia, a quem havia curado de uma doença. São Cosme recriminou-lhe o gesto, dizendo que não queria ser enterrado junto a ele. Quando os cristãos recolheram seus restos mortais para sepultá-los, um camelo começou a bradar com voz humana, dizendo que enterrassem os dois irmãos juntos, uma vez que Damião recebera a oferta apenas para não humilhar a pobre mulher.

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