Rio de Janeiro, 26 de Maio de 2026

Comédia <i>Bendito Fruto</i> diverte com estereótipos

Quinta, 19 de Maio de 2005 às 15:30, por: CdB

Criativo, esperto e cheio de ritmo, Bendito Fruto, filme de Sérgio Goldenberg, cumpre sua função e arranca gargalhadas, revelando um diretor que soube conduzir como um bom maestro a fina orquestra de atores composta por Otávio Augusto, Zezeh Barbosa, Vera Holtz, Eduardo Moscovis, Camila Pitanga e uma surpreendente Lúcia Alves. O filme estréia nessa sexta-feira.
Não por acaso, Lúcia e Zezeh levaram os troféus de melhor atriz no Festival de Brasília, nas categorias coadjuvante e principal, respectivamente.

Com roteiro do próprio Goldenberg e Rosane Lima, Bendito Fruto rompe uma espécie de círculo vicioso das comédias recentes do cinema brasileiro, diversificando o gênero ao compor um filme de classe média em que os personagens parecem realmente de carne e osso e fugindo aos muitos estereótipos da comédia televisiva, que geralmente aposta num humor ralo e, não raro, com piadas de baixo nível - como Sexo, Amor e Traição e Avassaladoras.

Melhor ainda, a comédia de Goldenberg não só foge desse formato televisivo, mostrando amplos planos do Rio de Janeiro, como até satiriza as novelas, embora não conteste o inegável amor que o público brasileiro tem por elas.

A dramaturgia esquemática e adocicada das novelas, aliás, forma um delicioso contraponto da trama. Todos os personagens do filme adoram assisti-las, sonhando com o romance complicado do galã (Eduardo Moscovis) com duas gêmeas.

A família central de Bendito Fruto, porém, é formada pelo cabeleireiro Edgar (Otávio Augusto) e sua empregada (Zezeh Barbosa), que é na verdade sua mulher, mas ele se recusa a assumir o caso. Os dois têm um filho que mora na Espanha e que não sabe que Edgar é seu verdadeiro pai.

Para complicar, aparece na vida de Edgar uma velha colega de colégio (Vera Holtz), agora viúva e disposta a tudo por uma nova paixão.

O ponto forte de Bendito Fruto é somar a esse triângulo amoroso ingredientes mais polêmicos, como menções ao racismo.

Tocando nestes assuntos com leveza mas sem concessões, a comédia mostra que é possível ser inteligente e popular sem cair no grotesco.

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