Uma série de visitas técnicas a países que operam sistemas de acessibilidade por teleférico em comunidades carentes da América Latina foi iniciada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. O objetivo principal é conhecer os procedimentos firmados entre o poder público e empresas prestadoras de serviços de transporte desses países, para viabilizar a operação e manutenção de seus sistemas. Com essas visitas técnicas, o Estado inicia os estudos para operar o teleférico do Complexo do Alemão, que terá a construção de suas 47 torres de sustentação dos cabos elétricos concluída no fim deste ano.
Semana passada, o subsecretário executivo de Obras, Hudson Braga, e o presidente da Emop (Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro), Ícaro Moreno Júnior, estiveram em Medellín e Caracas. Eles reuniram uma série de informações e experiências sobre a operação dos teleféricos daquelas cidades. Os dois ficaram convencidos de que é possível integrar o teleférico do Complexo do Alemão aos trens e metrô, com a operação e manutenção a cargo das empresas responsáveis por eles (Supervia e Companhia do Metrô).
Os exemplos da Colômbia e Venezuela mostram que as empresas similares daqueles países operam e mantêm seus teleféricos sem prejuízos, mesmo com bilhetes de integração a custo mínimo. Isto é possível devido ao grande número de novos passageiros e do retorno financeiro obtido através de marketing social.
– É como se o abandono das massas nas comunidades de San Augustin del Sur, em Caracas, e San Domingo e Comuna 13, em Medellín, viesse a ser resgatado através da acessibilidade à cidade formal, por sistema alternativo de transporte rentável – descreveu o presidente da Emop.
Contatos com a direção da Supervia já estão sendo mantidos para propor os termos da operação do teleférico, que poderiam ser firmados durante a revisão de contrato de concessão da empresa com o Estado. Serão iniciados contatos também com a direção do Metrô. Um acordo de cooperação entre o Governo do Estado do Rio de Janeiro e a empresa Metrocable (responsável pelo teleférico de Medellín) também está sendo elaborado.
Para acelerar a construção do teleférico do Complexo do Alemão, Hudson Braga e Ícaro Moreno, durante reunião, na quarta-feira, com os engenheiros do consórcio responsável pelas obras, decidiram implementar novo sistema de acompanhamento das desapropriações necessárias para instalação das torres de sustentação. Eles verificaram que as desapropriações, em Medellín e Caracas, foram o fator principal de atraso nas obras daquelas cidades. Para isso, cada uma das 47 torres terá o status de obra separada.
Em relato durante a reunião com os engenheiros, os dois expuseram também o que viram em relação ao cuidado com os portadores de deficiência e ao apelo visual utilizado para marcar as estações entre a população. Em San Augustin del Sur, as estações são temáticas, de acordo com o equipamento social oferecido (Estação do Esporte, Estação da Cultura, etc...) em seu entorno, e identificadas à noite por jogos de luzes em cores diferenciadas.
Começam estudos para operar teleférico no Complexo do Alemão
Quinta, 26 de Março de 2009 às 08:56, por: CdB