O Rock in Rio pode ter mesmo ficado só em Lisboa, mas os cariocas não podem reclamar que a cidade não tem um grande festival de música. Afinal, o TIM Festival aporta novamente em um dos principais cartões postais da cidade: a Marina da Glória.
Modernosos, b-boys, indies, fashionistas, todas essas e outras expressões tão comuns para definir as tribos que andam por aí estarão concentrados nos próximos três dias – 23, 24 e 25 de outubro – para conferir os shows dos mais diferentes estilos musicais – do jazz ao rock, do samba ao hip-hop. Música sem rótulos, como tantos gostam (nem sempre com sucesso) de defender.
Muito se ouviu que o line-up deste ano seria o mais fraco dos últimos tempos, com shows que não vinham atraindo uma busca frenética por ingressos como nas edições passadas – artistas como Stevie Wonder, Sonic Youth, Cake, Jeff Beck, Neneh Cherry, Jamiroquai, Erykah Badu e Arctic Monkeys, entre tantos outros, já se apresentaram no festival atual e em seu precursor, o saudoso Free Jazz Festival.
Mas um senhor quase octogenário parece estar disposto a acabar com este tipo de comentário e, ainda por cima, fazer jus ao nome do meio do festival que antecedeu o TIM: Sonny Rollins. Afinal, quem abre o festival, nesta quinta, na chamada "Noite de Gala", é o lendário saxofonista nova-iorquino, nome de peso do jazz americano, contemporâneo de figuras essenciais para a música do século XX como Miles Davis e John Coltrane.
É certo que a grande atração de cunho realmente pop deste ano ficará a cargo de Kanye West, o atual rei da milionária indústria do hip-hop norte-americano. Mas, apesar das poses de bad boy – e das inúmeras exigências de sua produção aos organizadores do festival –, basta ouvir os álbuns de Kanye, os premiados The College Dropout, Late Registration e Graduation para ver que o rapaz é bastante diferente de grande parte de seus colegas do rap que dominam a MTV e as paradas atualmente. O sucesso do rapaz é tanto que ele conseguiu colocar o duo francês Daft Punk – que, aliás, se apresentou no TIM Festival de 2006 – no palco do Grammy deste ano, algo pouco comum em um mercado tão fechado à música eletrônica européia.
Programação sofreu baixas nos últimos dias
Kanye reinará sozinho com seu show, intitulado Brilhando no escuro (Glow in the dark), nesta sexta, 24 de outubro, a partir das 21h30min. Quem também comandará o seu ‘bloco do eu sozinho, depois de já ter arrastado multidões de fãs com seus amigos de banda, é o ex-vocalista e guitarrista do Los Hermanos, Marcelo Camelo, que estréia, no palco Bossa Mod, no sábado (25), o show de seu primeiro álbum solo, Sou. Camelo vai mostrar porque, de possível ídolo teen que conquistou fãs enlouquecidas com Anna Julia, virou compositor maduro e querido de várias estrelas da MPB, como Maria Rita e Roberta Sá.
Roberta que, aliás, faz show nos mesmos dia e palco de Marcelo. A cantora-revelação do samba vai apagar um incêndio: substituirá, junto com o ex-titã Arnaldo Antunes, o roqueiro inglês Paul Weller, que, às vésperas do evento, cancelou sua apresentação devido a problemas no visto de um dos músicos de sua banda (leia aqui: TIM Festival: Arnaldo Antunes e Roberta Sá confirmados). Com um pouco mais de antecedência, a banda americana The Gossip também anunciou o cancelamento do show que faria no palco Novas Raves, alegando conflito de agendas.
O fato é que, muito além de Kanye, Sonny, Roberta, Camelo e Arnaldo, outras atrações prometem emocionar amantes da música: a jovem baixista Esperanza Spalding, no dia 24, os indies londrinos dos Klaxons e a modernosa dupla americana MGMT, ambos no dia 25. Os DJs também voltam a ser figuras de destaque. Os brasileiros Sanny Pitbull e Dolores e o inglês Yoda aquecerão a pista do TIM Festa, área de pura social do evento, no sábado.
Um dia antes haverá um inusitado tributo à fase “Racional” de Tim Maia feito pelo coletivo de produtores/ músicos/ rappers Instituto. O nome da homenagem não poderia ser mais apropriada: Tim no TIM. A programação é tão variada que fica difícil destacar todos. Serão três dias de intensa agitação na Marina da Glória – rappers em show de rock, indies em show de jazz, clubbers ouvindo pancadão e tantas outras misturebas – que tentarão fazer com que a música fique ainda mais sem rótulos. O Tim Festival mostra, assim como o Free Jazz que o antecedeu, que isso é, sim, possível.