Rio de Janeiro, 03 de Novembro de 2026

Começa a prévia na Pensilvânia pode decidir disputa democrata

Primária pode firmar candidatura de Barack Obama ou dar fôlego a Hillary CLinton.

Terça, 22 de Abril de 2008 às 06:17, por: CdB

As urnas da Pensilvânia foram abertas às 7h (8h de Brasília) desta terça-feira para que os eleitores votem em uma primária que pode ser decisiva para a nomeação do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos.

Uma vitória do senador Barack Obama no Estado praticamente liquidaria as chances da senadora Hillary Clinton, que conta com um número inferior de delegados e que está atrás do rival em votos populares.

Mas uma vitória de Hillary por uma margem de dez pontos percentuais ou mais pode dar fôlego à sua candidatura e reforçar a tese de seus correligionários de que ela é mais capaz de faturar os grandes Estados norte-americanos do que Obama.

Campanha extensa

A disputa no Estado representou um hiato dentro do corrido calendário eleitoral das primárias democratas. Os candidatos contaram com extensas sete semanas de campanha na Pensilvânia.

O longo período permitiu que Hillary e Obama cometessem gafes, trocassem as mais pesadas acusações desde o início da disputa e se reinventassem como políticos que compartilham dos hábitos de seus eleitores.

Em cada parada da campanha no Estado, os candidatos aproveitaram para jogar boliche, comer hambúrgueres e cachorros-quentes, virar doses de uísque e bebericar cerveja.

Para se mostrar em sintonia com os anseios dos votantes do Estado, predominantemente brancos, com nível médio de escolaridade e severamente atingidos por um dos maiores índices de desemprego dos Estados Unidos, na faixa de 7%, os dois candidatos intensificaram críticas a tratados de livre comércio como o Nafta (entre Estados Unidos e México), o Acordo de Livre Comércio das Américas e a proposta defendida pelo governo Bush de firmar um acordo de livre comércio com a Colômbia.

O tratado com a Colômbia chegou mesmo a custar a cabeça do principal estrategista da campanha de Hillary Clinton, Mark Penn. Ele acabou sendo forçado a pedir demissão após ter se encontrado com autoridades colombianas para discutir meios de obter a aprovação do acordo.

Discursos e gafes

Temas ligados a religião, patriotismo e extremismo também vieram à tona em mais de uma ocasião.

Foi na Pensilvânia que Barack Obama realizou um elogiado discurso sobre as relações raciais nos Estados Unidos. Uma versão impressa contendo o pronunciamento na íntegra vem sendo distribuída por ativistas de Obama em comícios e nos QGs da campanha no Estado.

O discurso foi uma resposta a declarações feitas pelo ex-pastor de Obama, Jeremiah Wright, cujos comentários foram considerados por muitos como um incitamento ao ódio racial.

Enquanto a campanha seguia seu curso na Pensilvânia, Obama se viu em maus lençóis, devido a comentários que fez em um evento de arrecadação em San Francisco. O candidato afirmou que moradores do interior do Estado, frustrados com as mazelas econômicas que vivem, acabam se tornando pessoas amargas, que se voltam para as armas e a religião.

Uma gafe da senadora Hillary Clinton que chamuscou a sua imagem também se deu durante a campanha da Pensilvânia. A senadora passou pelo constrangimento de ter de dizer que se ''expressou mal'', ao dizer que, quando primeira-dama, em 1996, aterrisou na Bósnia debaixo de fogo cerrado de atiradores e que teve de cancelar a recepção que lhe havia sido reservada e correr para não ser atingida.

Imagens de arquivo da época mostraram cenas muito mais róseas do que o quadro sombrio pintado pela senadora. Ela é vista saindo sorridente de seu avião, ao lado da filha, Chelsea. E, em seguida, conversando tranqüilamente com militares norte-americanos.

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