A descoberta de um novo e gigantesco campo de petróleo e gás, anunciada nessa quinta-feira pela Petrobras, não vai impedir que, no curto e médio prazo, os brasileiros tenham que enfrentar uma nova onda de altas nos preços dos combustíveis. A própria estatal confirmou que o preço do gás natural subirá entre 15% e 25% nos próximos dois anos.
– A era do gás barato acabou – disse a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster. Antes.
O presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, já havia admitido que, com a renegociação dos contratos com as distribuidoras, o preço também será renegociado. Como se não bastasse, estudo divulgado pela LCA Consultores afirma que a tendência é que os preços tanto do álcool quanto da gasolina subam em curto prazo.
O argumento da consultora é que novembro e dezembro abrem o início da entressafra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do país – período em que, historicamente, os preços sobem. E, por conta de 25% do derivado de petróleo ser composto por álcool, haverá, também, uma influência – menos intensa – nas suas cobranças.
– Os combustíveis exercerão pressão na inflação até o fim do primeiro trimestre de 2008, quando se dá o início da colheita de cana – explica a LCA em nota.
Ao analisar dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de outubro, divulgados quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), especialistas da LCA apontaram que a alta média nos preços da gasolina verificada no mês passado já foi fora do normal.
No âmbito do IPCA, índice que avalia a inflação para famílias com renda mensal de um a 44 salários mínimos e serve como balizador oficial do governo, a gasolina passou de deflação de 0,89% em setembro para alta de 0,36% em outubro. Pela análise, o álcool teve, em média, queda de 0,90% no mesmo período, enquanto o gás veicular ficou 1% mais caro.
Na última semana, contudo – ainda no período de safra – o álcool anidro subiu 8% e o hidratado, 6% nas usinas, segundo dados do Minaspetro, o sindicato que reúne os postos de combustíveis do estado.
Na avaliação do sindicato, o aumento pode acarretar uma elevação de R$ 0,12 no preço do álcool anidro e de R$ 0,4 no do hidratado. E é apenas o início da safra de aumentos. Geralmente, as altas das usinas demoram um mês para chegar às bombas dos postos.
– Os preços já deveriam ter aumentado entre julho e agosto, como ocorre tradicionalmente. Mas este ano, os produtores mantiveram a estabilidade até a semana passada. Como a demanda está em alta e vamos entrar na entressafra, é provável que ocorram novos aumentos – diz Marta Marjotta, pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP).
Para a pesquisadora, o aumento da semana passada teve, como principal motivo, o crescimento da demanda em função dos últimos feriados. Segundo a pesquisa do Cepea, o preço do álcool subiu em média 6,7% (anidro) e 8,13% (hidradato), com os valores – nas usinas – chegando a R$ 0,71322 o litro e R$ 0,6337, respectivamente. Marjotta, contudo, preferiu não arriscar previsões em torno dos aumentos.