A China continua a enviar forças de segurança para o Tibet, como puderam testemunhar repórteres posicionados próximas à região autônoma. O governo chinês evita entrar em detalhes sobre suas operações militares, limitando-se a informar que a situação na região está sob controle.
Mas os repórteres presenciaram a passagem de comboios chineses viajando em direção ao local onde manifestações estão sendo registradas. A entrada de estrangeiros e da imprensa está proibida no Tibet.
Na vizinha província de Gansu, um comboio militar viajou para o Tibet logo depois do meio-dia desta quarta-feira. Eram cerca de 20 caminhões militares, vários outros veículos militares e também uma ambulância, onde se podia ler "Força de Reação Rápida da Polícia Armada do Povo", informou um correspondente intenacional da agência de notícias inglesa BBC.
Ao sul, na província de Sichuan, outra equipe da agência presenciou a passagem de mais comboios militares chineses viajando em direção ao Tibet.
Segundo outro correspondente da agência inglesa, Daniel Griffiths, que está no oeste da China, durante todo o dia passaram mais de mais de 400 veículos militares pela fronteira.
Número crescente
Griffiths disse que tem observado comboios maiores viajando para o Tibet nos últimos dois dias. Segundo ele, os veículos se movem lentamente pelas estradas em comboios de até oito caminhões, avançando pelas montanhas.
Alguns deles levam soldados armados com rifles automáticos e baionetas. Outros levam soldados com capacetes e escudos usados pela tropa de choque.
Na terça-feira, 105 manifestantes que participavam de protestos contra a China na capital do Tibet, Lhasa, "se entregaram à polícia", segundo a imprensa estatal chinesa, Xinhua. Os manifestantes se entregaram ao fim do ultimato estabelecido pelas autoridades chinesas, que ameaçaram responder com firmeza aos que continuassem rebelados.
A atual onda de protestos no Tibete começou no último dia 10, como uma reação à notícia de que monges budistas teriam sido presos depois de realizar uma passeata para marcar os 49 anos de um levante tibetano contra o domínio chinês.
Os protestos já são considerados os maiores e mais violentos dos últimos 20 anos e se espalharam para províncias próximas da região do Himalaia, como Gansu, Qinghai e Sichuan.
Segundo o governo chinês, 13 pessoas foram mortas por manifestantes em Lhasa, a capital do Tibet.
No entanto, tibetanos que vivem no exílio disseram que pelo menos 99 pessoas foram mortas em confrontos com as forças de segurança chinesas durante a repressão aos protestos.