Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2026

Combates seguem intensos na Síria apesar dos frágeis sinais de diálogo

Quinta, 24 de Outubro de 2013 às 10:53, por: CdB

Um ataque atribuído aos rebeldes contrários ao governo de Bashar Al-Assad e ocorrido próximo à capital Damasco, causou um blecaute no país, nesta quinta-feira, segundo a agência síria de notícias Sana, que cita o ministro de Energia. – Um ataque terrorista contra um gasoduto que alimenta a central elétrica do sul provocou um corte de energia nas províncias. Estamos trabalhando para reparar os danos – disse o ministro Emad Khamis. Ainda não há detalhes sobre a magnitude do apagão, que ocorre em meio à violenta guerra civil que atinge o país há mais de dois anos e meio e provocou mais de 115 mil mortes. O ataque teria ocorrido próximo à região do aeroporto internacional da capital síria. Em meio aos combates, no entanto, autoridades sírias liberaram dezenas de presas e preparam a libertação de uma jovem blogueira, em uma das etapas finais de um acordo tríplice para a soltura de reféns, disse o Observatório Sírio de Direitos Humanos nesta quinta-feira. O governo de Bashar al-Assad libertou 61 mulheres nos últimos dois dias, como parte do acordo mediado por Catar e Turquia, segundo o Observatório, entidade que opera na Grã-Bretanha com base nos relatos de uma rede de ativistas na Síria. Um tribunal sírio também anistiou a blogueira Tal al-Mallohi, presa antes de completar 20 anos, mais de um ano antes do início da revolta na Síria, em 2011, segundo o Observatório. Mallohi, neta de um ex-ministro, foi detida em 2009 por publicar textos políticos. O Observatório disse que sua libertação é iminente. A libertação de cerca de 200 mulheres detidas era a principal exigência de militantes do norte da Síria que mantiveram nove libaneses como reféns durante 17 meses. Esses reféns e dois pilotos turcos capturados em agosto por insurgentes libaneses como retaliação foram soltos na semana passada. Terror nas ruas

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Os franco-atiradores sírios desenvolvem uma espécie de jogo com a vida de civis, nas ruas das principais cidades do país O médico David Nott, um cirugião britânico que já trabalhou em diversos hospitais na Síria com a organização Syria Relief, mostra o resultado do jogo dos snippers
A beligerância do confronto na Síria, porém, mostra um lado sombrio da guerra civil que arde naquele país. Um médico voluntário trabalhando na Síria afirmou, na véspera, que snipers (atiradores de elite) estão realizando uma espécie de “tiro ao alvo” durante os confrontos, tendo mulheres grávidas como um dos objetivos, segundo informações da rede CNN. David Nott, um cirugião britânico que já trabalhou em diversos hospitais na Síria com a organização Syria Relief, mostrou um raio-X de uma bala alojada na cabeça de um bebê: o detalhe é que a criança estava no útero da mãe, que sobreviveu após operação, ao contrário do filho. Nott disse que a maior parte dos bebês tinha entre sete e nove meses de gestação, o que significa que era bastante claro que as mães estavam grávidas quando foram atingidas. Crianças pequenas também estavam sendo alvejadas, acrescentou o médico. Fotos da Syria Relief mostram meninos e meninas de aproximadamente cinco anos mortos com ferimentos na cabeça.
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Cerca de 90% das cirurgias realizadas em um dia normal foram provocadas por ferimentos perpetrados por atiradores de elite, segundo o britânico. “Depois de um tempo, nós notamos que havia certas tendências”, disse. De acordo com Nott, havia dias que dos 15 ferimentos a bala que tratavam, oito ou nove eram em uma mesma área. “Por exemplo, um dia nós recebemos por volta de 15 tiros, mais da metade foram na virilha esquerda. Já no dia seguinte, eram na direita. Então parecia para mim um tipo de jogo acontecendo entre os snipers”, explicou. David Nott disse que outros médicos que trabalharam com ele contaram que já haviam ouvido histórias de que os atiradores recebiam pequenos presentes, como maços de cigarro, por pessoas que eles atingiam durante o dia. Não está claro, no entanto, se esses snipers são identificados com as forças do governo ou da oposição. Mísseis chineses O equilíbrio de forças entre rebeldes e o governo de Al-Assad segue como uma das principais preocupações dos EUA, que insiste em ampliar o poder de fogo dos insurgentes, em oposição à Rússia e à China, que apoiam o governo atualmente no poder. A Turquia, tradicional aliada dos norte-americanos, porém, tende a desequilibrar o quadro na região. Nesta manhã, os Estados Unidos iniciaram conversas com a Turquia sobre a decisão daquele país de coproduzir um sistema de defesa antiaérea e de mísseis de longo alcance com uma empresa chinesa que está sob sanções dos EUA, disse o embaixador norte-americano Francis Ricciardone nesta quinta-feira. – Estamos muito preocupados com a perspectiva de negócio com a empresa chinesa sancionada. Sim, esta é uma decisão comercial, é direito soberano da Turquia, mas estamos preocupados com o que isso significa para a defesa aérea aliada – disse Ricciardone a repórteres. A Turquia, membro da Otan, anunciou em setembro que tinha escolhido o sistema de defesa antimísseis chinês FD-2000, da fabricante China Precision Machinery Import and Export Corp em detrimento aos sistemas oferecidos por Rússia, EUA e de empresas europeias. A empresa chinesa está sob sanções dos EUA por violações da Lei de Não Proliferação no Irã, Coreia do Norte e Síria. – Nós começamos discussões de especialistas com a Turquia, e isso será feito por meio de canais oficiais. Teremos conversas respeitosas. Estamos preocupados, mas a Turquia vai tomar a sua própria decisão após analisar os fatos – disse Ricciardone. A Turquia disse que deve assinar o acordo de defesa antimísseis de US$ 3,4 bilhões com a fabricante chinesa, mas que a decisão ainda não é definitiva.

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