O comandante do Exército tailandês, general Anupong Paochinda, rejeitou na terça-feira o uso da força para retirar os manifestantes que ocupam a sede do governo, apesar de o estado de emergência em vigor autorizar essa ação.
– Se pensássemos que poderíamos usar policiais e soldados para retirá-los com uma conclusão pacífica, faríamos isso. Mas achamos que isso criaria mais problemas – disse ele em entrevista coletiva, depois de um homem morrer num confronto entre manifestantes pró e contra o governo.
O estado de emergência decretado pelo premiê Samak Sundaravej proíbe reuniões públicas, ocupação de prédios públicos e reportagens que incitem a distúrbios. Mas Anupong disse que seus soldados, desarmados, se limitarão a estabelecer um cordão entre os grupos contrários, o que indica que o impasse deve prosseguir. Os manifestantes exigem a renúncia de Samak.
O baht tailandês atingiu sua menor cotação em um ano (34,47 por dólar) e a Bolsa local tinha queda de 2,8 por cento às 5h40 (hora de Brasília), apesar do alívio no preço do petróleo, o que ajuda outras Bolsas asiáticas. Desde o início dos protestos, em maio, o índice de referência da Bolsa de Bangcoc caiu 24 por cento.
A mobilização de tropas em Bangcoc desperta rumores sobre um eventual golpe de Estado, menos de dois anos depois da deposição militar do primeiro-ministro Thaksin Shinawatra.
Mas Anupong, um dos generais que depuseram Thaksin, disse que outro golpe não resolveria nada.
– A porta para o uso da força está fechada. Precisamos encontrar uma solução por meio dos sistemas jurídico e parlamentar – afirmou.
Na sede do governo, líderes dos manifestantes prometem permanecer detrás de suas barricadas de pneus e arames farpados.
– Não há prisões suficientes para nos colocarem – disse Chamlong Srimuang, dirigente do partido oposicionista Aliança Popular pela Democracia, a milhares de simpatizantes que o aplaudiam dentro do complexo governamental.
Em discurso transmitido por rádios e TVs por satélite que permaneceram no ar apesar do estado de emergência ele conclamou mais tailandeses a se unirem aos protestos. A Aliança Popular acusa Samak de ser um títere a mando do impopular Thaksin.
Comandante militar tailandês rejeita repressão a protestos
Terça, 02 de Setembro de 2008 às 06:42, por: CdB