Comandante da Guarda Revolucionária do Irã, Mohammad Ali Jafari, em entrevista à imprensa local, disse nesta segunda-feira que Israel será, em breve, destruído pelas "mãos do Hezbollah". A declaração consta de uma carta de condolências enviada por Jafari ao comandante do Hezbollah, Hassan Nasrallah, por ocasião da morte de um dirigente do grupo, Imad Moughniyah, vítima de um carro-bomba na semana passada em Damasco.
– No futuro próximo, vamos testemunhar a destruição da cancerosa existência de Israel por parte das poderosas e competentes mãos dos combatentes do Hezbollah – disse Jafari, lendo as declarações contidas na carta..
A declaração aumentou o estado de alerta emitido pelo governo israelense, embora não seja novidade o fato de o Irã não reconhecer a existência de Israel. O presidente Mahmoud Ahmadinejad, em declarações contundentes, ano passado, previu a queda do Estado judaico e, com isso, ampliou a distância do Ocidente. Além do apoio ao grupo xiita libanês Hezbollah, o governo dos aiatolás é acusado por alguns países de tentar desenvolver armas nucleares. Teerã nega o caráter militar de seu programa nuclear, e Ahmadinejad diz não ser ameaça a ninguém, nem mesmo para Israel.
Analistas ocidentais afirmam que a Guarda Revolucionária, o núcleo ideológico das Forças Armadas, dá ajuda militar ao Hezbollah, algo que Teerã também nega, admitindo apenas apoio moral aos xiitas libaneses. Moughniyah passou anos entre os homens mais procurados pelos Estados Unidos e Israel devido ao seu suposto envolvimento em ataques com centenas de mortes.
Teerã atribuiu o assassinato de Moughniyah a Israel.
"Indubitavelmente, o martírio deste combatente sincero vai fortalecer a determinação de todos os muçulmanos combatentes e revolucionários, particularmente os colegas dele neste confronto com o regime sionista", acrescentou Jafari em sua carta.
A Guarda Revolucionária foi criada depois da Revolução Islâmica de 1979 para proteger o novo regime do país. Ela tem unidades terrestres, navais e aéreas, com uma estrutura de comando separada das Forças Armadas regulares. Além disso, a Guarda também tem um crescente papel econômico, inclusive no importante setor petrolífero iraniano.