Rio de Janeiro, 03 de Fevereiro de 2026

Comandante do Cindacta 4 aponta contradição em informações de piloto de jato

Terça, 03 de Julho de 2007 às 14:28, por: CdB

O comandante do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo 4 (Cindacta 4), coronel-aviador Eduardo Antônio Carcavallo Filho, presta depoimento nesta terça-feira na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo na Câmara dos Deputados. Ele relatou os primeiros contatos telefônicos feitos com o piloto do jato Legacy Joseph Lepore, logo após a colisão do jato com a aeronave da Gol, em setembro do ano passado.

De acordo com Carcavallo, no primeiro telefonema, Lepore afirmou que o sistema anticolisão estava desligado no momento do acidente. No segundo telefonema, ele teria voltado atrás e dito que o sistema estava ligado. Lepore conversou com o coronel-aviador após pousar na Serra do Cachimbo, área monitorada pelo Cindacta 4.

— Quando me chamaram, eu estava na minha sala administrativa. Me passaram as informações iniciais e eu liguei para o Cachimbo. O Legacy já tinha pousado. Perguntei se o TCAS [Sistema para Evitar Colisão Durante o Vôo, na sigla em inglês] estava desligado. Não fiz pergunta em relação ao transponder. Mas são equipamentos que operam integrados. O transponder capta o sinal do radar e o TCAS dá o sinal de alerta —, explica Carcavallo.

— Analisando o vídeo do que aconteceu, se percebeu que o transponder estava desligado, o que levou o TCAS a não funcionar. Se o transponder estivesse ligado, ele poderia permitir o funcionamento do TCAS, o que poderia alertar os pilotos de uma colisão iminente, o que poderia comandar uma diretiva que evitasse o acidente —, disse.

O comandante do Cindacta 4 colocou o vídeo e as gravações telefônicas a disposição da CPI do Apagão Aéreo da Câmara. Para ele, se o transponder não estivesse desligado, seriam maiores as chances do acidente do acontecer. Carcavallo reconheceu, no entanto, que um acidente aéreo não depende de uma única falha.

Relatório aprovado no dia 6 de junho na CPI do Apagão Aéreo do Senado apontou que sete falhas humanas resultaram no acidente aéreo entre o jato e o Boeing da Gol, no dia 29 de setembro do ano passado. O documento culpa os dois pilotos do Legacy e os quatro controladores de vôo da torre de Brasília pelo acidente, mas exime de culpa a Aeronáutica ou qualquer outra instituição.

— Se os pilotos do Legacy não tivessem desligado o transponder, o acidente não teria ocorrido. Se os controladores de vôo tivessem atuado de forma diligente e responsável, conforme a natureza da atividade exige, o acidente não teria ocorrido —, afirma o relatório.

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