Temer seguirá como candidato a vice da presidenta Dilma Rousseff
Vice-presidente da República, o advogado Michel Temer acredita ser "quase unanimidade" no PMDB a intenção de manter a aliança nacional com o PT. De acordo com Temer, a opinião de vários líderes da legenda é que não havia outro caminho. Essa também é a opinião do presidente nacional da legenda, Valdir Raupp.
– Na aliança nacional, era um anseio nosso que pudesse haver candidatura própria. O melhor caminho hoje é manter a aliança nacional – disse Raupp.
Segundo o vice-presidente, as alianças regionais ainda não foram definidas.
– Ficou estabelecido que nós vamos continuar conversando – disse a jornalistas.
Durante a reunião da Executiva Nacional, na noite passada, foi proposta a criação de um grupo de trabalho para estudar caso a caso e encaminhar as posições do PMDB em suas negociações com os aliados de cada estado.
Temer também disse que os líderes do partido decidiram apoiar sua pré-candidatura para vice na chapa com a presidenta Dilma Rousseff, pré-candidata a presidente pelo PT, e que foram poucas objeções.
– Eu até esperava uma contestação mais entusiasmada, mas houve vozes, penso eu, isoladas – disse, acrescentando que a candidatura será oficializada legalmente na convenção nacional do partido, no dia 10 de junho.
Oposição em curso
Embora Temer veja um panorama mais brando nos meses à frente, a queda nas intenções de voto para a presidenta Dilma Rousseff animaram as hostes da oposição que ainda restam no seio da legenda. As divergências nos Estados levaram a ala dissidente do PMDB a aumentar a pressão sobre a cúpula do partido para que a sigla fique neutra na disputa pelo Palácio do Planalto e negue apoio à reeleição da petista.
A menos de um mês da convenção nacional do PMDB que vai decidir o rumo do partido na sucessão presidencial, setores da legenda aproveitaram a reunião da Executiva Nacional, em Brasília, para reforçar a cobrança por uma postura independente na eleição de outubro.
– Oscilações de pesquisas atiçam o debate político – disse o líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), após o encontro.
As críticas principais foram no sentido de que o partido se beneficia pouco do acordo nacional com os petistas. Os peemedebistas reclamaram ainda que a bancada federal pode ficar menor caso a aliança seja mantida, o que diminuiria o peso político da sigla no próximo governo.
– O PMDB participa do governo com cinco ou seis minutos do tempo de televisão, mas não apita nada na construção de políticas públicas do país – disse um dos porta-vozes dos insatisfeitos, o deputado federal Leonardo Picciani (RJ).
Embora as divergências locais ainda sejam o motor das insatisfações dentro do PMDB, a avaliação é que as críticas à aliança nacional PMDB-PT também foram influenciadas pela queda da avaliação do governo Dilma e das intenções de voto na petista nas pesquisas eleitorais. No Rio, o PMDB tende a lançar candidato Luiz Fernando Pezão, que assumiu o governo do Estado no lugar de Sérgio Cabral, enquanto que o PT trabalha pela candidatura do senador Lindbergh Farias.
– Fortalecer o seu adversário em nível nacional é o mesmo do que fortalecer o adversário no Estado – resumiu Picciani.
O Rio tem o maior número de convencionais que decidirá pela coligação ou não com Dilma na convenção no dia 10 de junho. A insatisfação também ocorre em outros Estados com peso interno, como Ceará, Paraíba e Rio Grande do Sul.
Temer, no entanto, apresentou ofícios de apoio assinados pelos convencionais dos diretórios de Minas Gerais e de São Paulo. Ele também advoga a tese de que a sigla respeite as peculiaridades eleitorais dos Estados nas coligações, desde que haja a defesa do projeto nacional.
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