Rio de Janeiro, 30 de Abril de 2026

Com moral no STF, Dirceu quer ver FHC contra Lula em 2006

Em franca campanha pela defesa de seu mandato, o deputado José Dirceu (PT-SP) resolveu desafiar seu principal desafeto na política nacional. Dirceu disse que gostaria de ver o ex-presidente tucano em campanha no ano que vem, pois os petistas gostariam que FHC fosse candidato, "mas parece que ele não quer", disse, em tom desafiador. No Supremo Tribunal Federal, Dirceu aguarda o voto do ministro Sepúlveda Pertence, para saber se o seu processo será alterado na Câmara. (Leia Mais)

Quarta, 23 de Novembro de 2005 às 11:39, por: CdB

Em franca campanha pela defesa de seu mandato, o deputado José Dirceu (PT-SP) resolveu desafiar seu principal desafeto na política nacional. Ele disse que espera do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a oportunidade para voltar a enfrentá-lo, nas urnas, com Lula novamente candidato à Presidência do Brasil. FHC havia feito um desafio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, convocando-o para concorrer às próximas eleições.

Dirceu disse que gostaria de ver o ex-presidente em campanha no ano que vem:

- Todos nós, do PT, gostaríamos que ele se apresentasse como candidato, mas parece que ele não quer - disse, em tom desafiador.

Para José Dirceu, Lula será candidato à reeleição e garantiu que estará na linha de frente da campanha, mas não como coordenador ou dirigente partidário.

- Eu quero que o presidente Lula seja candidato. Eu pretendo trabalhar na campanha, com certeza, mas dirigente partidário e coordenador de campanha são páginas viradas na minha vida - garantiu.

Quanto aos processos conta ele, na Câmara, Dirceu disse que espera justiça.

- Não estou indo à Justiça para ganhar tempo. Estou indo como todo brasileiro deveria ir para fazer valer seus direitos constitucionais - afirmou.

Ele voltou a repetir que não há acusação contra ele.

- Não tenho que pedir ao país perdão por nenhum ato ilícito ou de corrupção - disse.

Os advogados de defesa de Dirceu alegam que houve irregularidades, a começar pela negativa do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar ao pedido de retirada da representação contra o deputado, formulado pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Para a defesa, o conselho se sobrepôs indevidamente ao poder constitucionalmente outorgado aos partidos políticos, ferindo sua autonomia.

A defesa também contesta a prorrogação do prazo de tramitação do processo disciplinar, que extrapolou os 90 dias previstos no Regimento da Casa, sem a demonstração da necessidade de tal medida. Segundo os advogados, outra irregularidade é o fato de as testemunhas de defesa terem sido ouvidas antes das de acusação, impossibilitando a ampla defesa e o contraditório.

A defesa explica que várias informações bancárias sigilosas foram apresentadas, direta ou indiretamente, por integrantes do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar que também são membros da CPMI dos Correios o que teria influenciado na condução do depoimento de uma testemunha de acusação.

Empate técnico

Satisfeito com o empate de cinco a cinco votos obtido no Supremo Tribunal Federal (STF), Dirceu aguarda a volta do ministro Sepúlveda Pertence para conhecer o resultado da apelação quanto ao resultado do relatório na Comissão de Ética da Câmara, que propõe a cassação de seu mandato.

Cinco ministros do Supremo recusaram seu pedido. Mas outros cinco aceitaram, um deles de forma parcial. Dois ministros chegaram a mudar de voto. Gilmar Mendes, que havia votado favoravelmente a Dirceu, voltou atrás. Já Eros Grau, que havia negado a liminar, alterou seu parecer ao final do julgamento. Dirceu alega que o Conselho de Ética da Câmara alterou a ordem dos depoimentos em seu julgamento: ouviu primeiro as testemunhas de defesa e, depois, as de acusação.

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