Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Com menos ajuda dos EUA, Paquistão pode tirar tropa da fronteira

Terça, 12 de Julho de 2011 às 05:09, por: CdB

Com menos ajuda dos EUA, Paquistão pode tirar tropa da fronteira

Por Zeeshan Haider

ISLAMABAD (Reuters) - O Paquistão pode retirar soldados da fronteira com o Afeganistão se os Estados Unidos levarem adiante sua decisão de reduzir a ajuda militar a Islamabad, disse o ministro da Defesa paquistanês nesta terça-feira.

Os EUA anunciaram no domingo a intenção de retirar 800 milhões de dólares da ajuda militar ao Paquistão -- de um total de quase 2 bilhões de dólares -- em retaliação contra a decisão paquistanesa de retirar instrutores norte-americanos do país e limitar a concessão de vistos a funcionários dos EUA.

"Se tudo ficar difícil, vamos simplesmente trazer todas as nossas forças (da fronteira com o Afeganistão)", disse o ministro Ahmed Mukhtar à emissora de TV Express 24/7, numa entrevista transmitida nesta terça-feira.

"Se os norte-americanos se recusam a nos dar dinheiro, tudo bem", disse ele. "Acho que o próximo passo é que o governo ou as Forças Armadas vão sair das áreas de fronteira. Não temos condições de manter nossos militares nas montanhas por um período tão longo."



No Paquistão, o ministro da Defesa tem poderes relativamente limitados. A política militar, na prática, é definida pelo poderoso chefe do Estado-Maior, general Ashfaq Kayani, e pelo chefe do serviço de inteligência, general Ahmed Shuja Pasha.

Na segunda-feira, os militares disseram que poderiam ficar sem o auxílio dos EUA -- para isso, dependeriam de recursos próprios ou recorreriam à China, "amiga a toda prova".

Os EUA dão dinheiro ao Paquistão para reembolsar despesas no combate a militantes islâmicos na fronteira, e também para fornecer treinamento e equipamentos. A verba contingenciada é de 300 milhões de dólares no reembolso de despesas e 500 milhões na ajuda propriamente dita. Washington disse que irá liberar a verba se o Paquistão revogar as restrições aos vistos e as missões de treinamentos.

As relações entre os dois aliados pioraram sensivelmente nos últimos anos, especialmente depois da morte de dois paquistaneses por um agente a serviço da CIA, em janeiro, e da ação militar norte-americana que matou Osama bin Laden, ocorrida em maio em território paquistanês, mas sem conhecimento das autoridades locais.

Reuters

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