Fabricio Cortinove Pelachine
Especial para o site da FPF
O técnico André Oliveira, de 54 anos, que comanda o Batatais na disputa Copa Paulista de Futebol, possui uma história rica não apenas comandando os times do banco de reservas, mas também dentro de campo. Ex-meia-esquerda, o hoje treinador deu o primeiro passo como jogador no Rio Preto em 1976 sob o comando de Rubens Minelli, e passou em seguida por equipes como Olímpia, Araçatuba, Guarani, América, Operário (MS), Internacional de Limeira, entre tantos outros até encerrar a carreira em 1989 no Barretos, devido a problemas físicos.
Palavra de Técnico
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Durante estes mais de dez anos como atleta profissional, André Oliveira pôde inclusive atuar junto de dois dos grandes nomes surgidos no futebol brasileiro neste período: Bebeto, em 1982, no Vitória (BA) e Raí, em 1985, no Botafogo, jogadores que seriam mais tarde campeões da Copa do Mundo de 1994 com a Seleção Brasileira de Futebol.
Após a fase como jogador, o profissional com fama de paizão seria auxiliar técnico antes de ter a primeira experiência como treinador nas categorias de base do Rio Branco. No clube de Americana dirigiu os atacantes Diego Tardelli e Thiago Ribeiro, atualmente no Anzhi Makhachkala da Rússia e Cruzeiro (MG), respectivamente.
Nos anos seguintes colecionaria acessos como auxiliar técnico do Grêmio Barueri, que subiu para a Série A1 do Campeonato Paulista em 2006, e como técnico no Comercial, Grêmio Osasco e Batatais, este último em 2008, na Segunda Divisão do Campeonato Paulista, depois de 15 anos participando desta competição.
Em 2011, André Oliveira deu continuidade ao trabalho nesta equipe, onde retornou durante a Série A3 e tirou o time da zona de rebaixamento e quase o classificou para a fase seguinte da competição.
FPF: Quando você ainda era jogador em quem você procurava se inspirar?
André Oliveira: Me inspirava muito no Zico, pois era o top de linha na época. Entrava na área para marcar os gols e sabia jogar fora dela também. Tenho ele como um ídolo por tudo aquilo que fez, mas durante a minha carreira tive um prazer enorme de jogar com o Raí no Botafogo, treinávamos juntos e falávamos bastante, e com o Bebeto no Vitória (BA), a mesma coisa. São jogadores como estes que o futebol brasileiro necessita, estão buscando sempre o sentido de gol, e hoje temos apenas o Neymar e Lucas que fazem isso.
FPF: Você lembra-se de algum fato curioso durante o convívio com estes jogadores?
André Oliveira: O Raí sempre surpreendeu, pois quando nos concentrávamos para os jogos tomávamos café da manhã e ele não, apenas almoçava e dormia mais que os outros também. Mas quando chegava a partida ele se desdobrava em campo. Era algo da sua concentração que sempre me deixou pensativo, pois hoje em dia com a preparação física que temos nos clubes isso não costuma acontecer.
FPF: Como foi o seu começo de carreira como treinador futebol?
André Oliveira: Tive uma lesão no joelho e com a observação que fazia dos treinadores que fui auxiliar técnico acabei pegando gosto. Comecei como técnico no sub 17 do Rio Branco com o Diego Tardelli e Thiago Ribeiro e depois comandei o Barueri, onde revelamos Thiago Humberto (atual Ceará) e o Caio, ex-Palmeiras (hoje Eintracht Frankfurt da Alemanha) e depois segui com as minhas próprias pernas até retornar ao Batatais, clube que ajudei a conquistar o acesso depois de muitos anos.
FPF: Qual o técnico que você se inspira?
André Oliveira: Já trabalhei com vários nomes competentes e que costumo chamar de guerreiros, pois cada um está procurando o seu espaço no mercado de trabalho. Mas gosto muito do Carlos Alberto Silva. Converso com ele até hoje, teve uma carreira vencedora em várias equipes e admiro também o homem, não apenas o profissional, e por isso tenho todo respeito com uma pessoa que me identifico bastante.
FPF: Você possui a fama de treinador paizão entre os jogadores, o que motivou esta característica?
André Oliveira: Vim de um berço pobre, perdi meu pai cedo e depois a minha mãe em 2006. Vejo muito o homem e depois o atleta. No futebol precisamos ser aquele pai, que dá o tapa e depois passa o mercúrio. Não misturo as coisas, existe hora para tudo e sou reconhecido por isso. Essa carreira como treinador paizão que faz sucesso, coloco que o jogador de futebol não é uma máquina e acima de tudo precisa ser respeitado
FPF: Você citou o nome de alguns jogadores que passaram pelas suas mãos tem algum em especial que se recorda?
André Oliveira: Um que tinha certeza que daria certo é o Rafael Fefo (ex-Corinthians), pois tinha caráter e personalidade forte desde as categorias de base. Sinto-me orgulhoso por ter ajudado e sempre falo que futebol tem espaço apenas para os vencedores e quando o vejo em campo fico muito feliz.
FPF: Você lembra algum fato inusitado durante a sua carreira?
André Oliveira: Antigamente os jogos tinham apenas duas substituições e os clubes pagavam a premiação apenas para quem atuava e em 1986, como jogador da Inter de Bebedouro, em uma partida entrei por conta própria no campo por este motivo, enquanto o treinador foi passar instruções na beira do gramado. Naquele dia puxei o Zé Roberto para fora, o camisa 11 e um dos melhores jogadores, mas depois deste acontecimento pedi desculpas para todo o elenco.
FPF: Qual foi o seu principal momento da carreira?
André Oliveira: Sempre fui artilheiro e tinha uma virtude muito grande jogando como meia e usando a camisa dez, algo que está meio escasso hoje no futebol. Como técnico foi aqui no Batatais em 2008, no acesso conquistado na Segunda Divisão do Campeonato Paulista. Foi uma euforia muito grande por subir com o clube depois de muitos anos em um lugar onde respeito muito a torcida.
FPF: Como você se vê daqui alguns anos no futebol?
André Oliveira: Sempre trabalhando com bastante humildade. Já tive algumas experiências no profissional do Grêmio Barueri, onde peguei o time em cinco ocasiões, e este objetivo é que me faz pensar grande. Pretendo fazer uma grande campanha na Copa Paulista e realizar ótimos trabalhos também fora de São Paulo.