Uma modesta recuperação econômica vem tomando forma na zona do euro, disse o membro do Banco Central Europeu (BCE) Guy Quaden, nesta quarta-feira, acrescentando que Brasil, China e Índia estão alimentando a expansão global. Ele também afirmou que os países europeus enfrentam dois desafios: reduzir seus déficits e reforçar o crescimento, e afirmou que uma volta à recessão não é o cenário mais provável.
Além da crise do sistema capitalista, do desemprego e do cenário de dificuldades financeiras dos governos periféricos como Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha, os países do (PIIGS, na sigla em inglês) a elevação dos custos de energia pressionaram a inflação da zona do euro em maio na comparação anual, o que contrabalançou um arrefecimento dos alimentos.
Os preços ao consumidor da região subiram 0,1% em maio sobre abril e avançaram 1,6% contra igual mês de 2009, informou a agência de estatísticas Eurostat nesta quarta-feira. O dado anual ficou em linha com a previsão do mercado e marca uma aceleração ante o avanço de 1,5% visto em abril. Os combustíveis para transporte contribuíram com 0,71 ponto percentual para o resultado ano a ano, enquanto o combustível para aquecimento acrescentou 0,23 ponto. Os custos de alimentos caíram 0,2% sobre maio do ano passado.
Déficit
A tentativa de contenção dos déficits públicos na maioria dos países europeus fizeram com que os franceses tenham que trabalhar dois anos mais antes de se aposentar e os ricos pagarão mais impostos, em um esforço para tirar o orçamento de bem-estar social do vermelho, informou o governo nesta quarta-feira. A idade mínima de aposentadoria será gradualmente elevada a 62 anos até 2018, contra os atuais 60 anos, disse o ministro do Trabalho, Eric Woerth.
– Trabalhar mais é inevitável. Todos os nossos parceiros europeus fizeram isso... Não podemos não nos juntar ao movimento – afirmou Woerth.
Na Espanha, a situação não é diferente, embora a Comissão Europeia tenha negado, pela manhã, a notícia de um jornal de que a União Europeia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Tesouro dos Estados Unidos estivessem esboçando um plano de liquidez para a Espanha, incluindo uma linha de crédito de até 250 bilhões de euros (US$ 335 bilhões). A notícia foi publicada na última edição do diário madrilenho El Economista e, segundo o porta-voz da Comissão, Amadeu Altafaj, é "muito estranha".
– Eu posso firmemente negá-la – afirmou.
Os sinais de recuperação da economia espanhola, porém, ainda são muito fracos, segundo o presidente do Banco da Espanha, Miguel Ángel Fernández Ordóñez. Ele acrescentou durante uma palestra, porém, ser essencial que as medidas de austeridade sejam cumpridas, mesmo se elas afetarem o crescimento no curto prazo.
– O indubitável custo que elas terão para a sociedade será compensado por uma proteção maior contra a instabilidade e uma posição mais sólida para apoiar a recuperação. Essa é a razão pela qual é absolutamente essencial que as novas metas sejam atingidas, mesmo que o cenário macroeconômico acabe sendo menos dinâmico que o previsto pelo governo – disse Ordóñez, em seu discurso.
O governo do Partido Socialista, com índices decrescentes de popularidade e minoria no Congresso, apresenta dificuldades para impor medidas de austeridade e reformas para melhorar a economia e está no meio de uma ampla reestruturação do setor bancário. O pacote de austeridade para reduzir o déficit de 11,2% do Produto Interno Bruto (PIB) para apenas 3% em 2013 foi aprovado pelo Parlamento espanhol por um voto de diferença em maio.
O Banco da Espanha pediu que o país continue com reformas estruturais como a reforma do mercado de trabalho e a consolidação do sistema bancário para restaurar a
confiança do mercado no país. A reforma trabalhista deve ser finalizada antes do final do verão na Espanha (por volta do final de setembro), disse o BC. A alta taxa de desemprego da Espanha -- de 20% no primeiro trimestre -- destaca as dificuldades que a economia enfrenta para sair de sua pior recessão em décadas, causada pelo estouro da bolha imobiliária.