Apesar da perspectiva de corte de produção por parte dos países membros da Opep (Organização dos Países Exportadores e Petróleo), o petróleo segue operando em baixa nesta sexta-feira, com a continuidade do impacto da sobre-oferta de óleo no mercado internacional e da captura de importantes estruturas no Iraque. Nesse sentido, a cotação do barril do petróleo Brent, negociado no mercado de Londres, atinge US$ 24,17 nesta sexta-feira, baixa de 1,35% em relação ao último fechamento. Com a queda, o petróleo acumula forte baixa de 8,96% neste mês de abril e a variação no ano fica negativa em 18,51%, já que a commodity encerrou o ano passado cotada a US$ 29,66 por barril em Londres. A cidade de Kirkuk, ao norte do Iraque, encontra-se ocupada por forças da coalizão, sendo que estas capturaram quase que intactas as importantes estruturas petrolíferas da cidade. Vale lembrar que a região de Kirkuk respondia por cerca de 40% de todo o petróleo produzido no país antes do início do conflito, o que perfaz em termos absolutos 900 mil barris por dia. Vale igualmente ressaltar que diversos analistas da área colocam que devido ao fato de grande parte das estruturas petrolíferas do Iraque terem sido capturadas intactas, o país poderá retomar sua plena produção de 2,48 milhões de barris ao dia em cerca de três meses. Investidores seguem atentos à reunião da Opep. Uma das tônicas do mercado tem sido a espera pela reunião da Opep, que deve ocorrer no dia 24 deste mês onde o principal assunto será o possível corte de produção pelos países membros da organização. Segundo dados divulgados por parte da IEA (International Energy Agency), a produção média diária registrada no mês de março atingiu seu recorde histórico, chegando na casa dos 80,3 milhões de barris, sendo que o principal fator para a elevação residiu no incremento da produção na Arábia Saudita e na Venezuela. Segundo o presidente da Opep, Abdullah bin Hamad al-Attiyah, dentre os dados divulgados pela IEA, o que mais gera cautela para a Organização é que a projeção do consumo global de petróleo deve ficar em torno de 76,4 milhões de barris por dia para o segundo trimestre deste ano, frente a uma atual produção de 80,3 milhões de barris, o que para al-Attiyah evidência a necessidade do corte. Contudo, nesta sexta-feira, prevalecem em peso as perspectivas de retomada da produção no Iraque e a sobre-oferta no curto prazo, pressionando desta maneira para a baixa da commodity. Figurando-se como um dos fatores que impedem uma maior baixa na cotação do produto, a continuidade de confrontos entre militantes Ijaw e tropas do exército nigeriano tem atrasado os embarque do produto no país africano. A Shell divulgou que está impedida de embarcar cerca de 202 mil barris por dia via terminal de Bonny e Forcados devido a estes estarem praticamente bloqueados com o advento dos combates.
Com avanço da guerra, preço do petróleo continua em queda
Sexta, 11 de Abril de 2003 às 07:47, por: CdB