A vitória conservadora, estimulada e iniciada pela imprensa, em especial pela revista VEJA - e o grupo político em seu entorno, o mesmo que apoia o tucanato - no referendo sobre armas de 2005, cobra seu preço agora quando o país se defronta com a barbárie na tragédia do Realengo (Rio) que provocou a morte de 12 crianças 5ª feira pp.
Em outubro de 2005, vocês se lembram, a sociedade brasileira foi às urnas para responder a seguinte questão: "o comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?" 63,94% responderam "não" contra 36,06% dos que disseram "sim".
Resultado: o artigo 35 do Estatuto do Desarmamento - "É proibida a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional, salvo para as entidades previstas no art. 6º desta Lei" - não entrou em vigor.
O assunto merece muita atenção
O controle à proibição do uso de armas não apenas foi derrotado, como a partir dali uma série de medidas legislativas foi proposta no Congresso Nacional para relaxar as atuais normas para a concessão do porte de armas, fazendo a alegria dos fabricantes.
O assunto volta a debate agora. Mas, essa discussão precisa ser muito mais ampla. É urgente e necessário que ela se trave não apenas sobre a proibição da venda de armas e de seu porte, mas de seu controle e, particularmente, da segurança em sua guarda pelas polícias e Forças Armadas.
No tocante às armas, esse debate precisa se desenvolver, principalmente, em torno de uma política nacional de controle das fronteiras e do contrabando delas, infelizmente, uma realidade hoje. O fato, meus caros, é que só não foram piores as consequências da derrota da proibição da venda de armas e de seu porte, porque o governo fez valer uma política que restringiu ao mínimo a concessão legal de autorização de armas.