O fotógrafo Daniel Marenco, da Folhapress, captou o momento em que o vidro da sede das empresas X, de Eike Batista, parecia derreter
A petroleira OGX e o empresário Eike Batista, controlador da empresa, decidiram levar a disputa sobre o exercício da "put" de US$ 1 bilhão a juristas independentes, segundo comunicado divulgado na manhã desta terça-feira. A empresa estima, com a decisão, ganhar um prazo adicional de 60 dias para obter um posicionamento definitivo sobre a disputa em que o empresário tem se recusado a injetar os recursos que havia prometido para a companhia. Não bastasse o impasse jurídico, a sede da empresa, na Cinelândia, teve os vidros quebrados que, agora, parecem literalmente estar derretendo sob o forte calor dos últimos dias.
No início de setembro deste ano, a diretoria da OGX aprovou o exercício da opção concedida por Eike em meio à situação de dificuldades de caixa da companhia. A opção, acertada em outubro de 2012, considera que o empresário deverá subscrever novas ações de emissão da OGX ao preço de R$ 6,30 por papel. A ação da empresa encerrou na véspera cotada a R$ 0,15.
Eike Batista questionou no início de setembro a validade do exercício da opção, afirmando que iria abrir procedimento na Câmara de Arbitragem do Mercado se a disputa sobre o exercício da opção não fosse resolvida em 60 dias. A OGX, que era considerada o ativo mais precioso de Eike, entrou no fim de outubro com pedido de recuperação judicial pressionada por dívida de R$ 11,2 bilhões.
Contratos internos
Ainda na noite de segunda-feira, a OGX informou que recebeu das empresas controladas pela OSX Brasil, notificações sobre rescisão de contratos relativos às unidades de produção FPSO OSX-1, FPSO OSX-2 e WHP-2. A OSX, empresa de construção naval do grupo EBX, se tornou na véspera a segunda companhia de Eike, a entrar com pedido de recuperação judicial.
"Os valores reclamados em decorrência das referidas rescisões contratuais serão discutidos e abordados no âmbito do processo de recuperação judicial da companhia e suas controladas", informou a OGX, em nota.
De acordo com a OGX, as subsidiárias da OSX comunicaram à empresa rescisão unilateral dos contratos de plataformas, que regulavam as condições e a remuneração do afretamento das FPSOs OSX-1 e OSX-2, em função da ausência de pagamentos.
"A FPSO OSX-1 permanece conectada e disponível para operação no Campo de Tubarão Azul, enquanto a companhia e a OSX encontram-se em tratativas, visando estabelecer os termos e condições adequados para a realização da eventual desconexão", informou a OGX.
Império "X" derrete
No Centro do Rio, a fachada da sede das empresas "X", de Eike Batista, parece derreter. Os vidros do edifício Serrador, que ornamentam a frente de um dos prédios mais famososo da cidade, foram depredados por manifestantes em ao menos três ocasiões durante os protestos de professores na cidade em outubro. A película plástica usada para escurecer os vidros impede que parte das placas estilhaçadas vá ao chão e formou bolsões que avançam sobre a portaria do prédio, principalmente com as altas temperaturas da primavera carioca.
A fachada apresenta marcas de pedradas e segue, agora, protegida por por tapumes. Dois coqueiros com folhas já ressequidas são os únicos remanescentes da entrada de funcionários e visitantes, transferida para uma porta lateral. Diante da situação financeira quase insustentável, a empresa preferiu não comentar com jornalistas mais esse sinal evidente da derrocada do império financeiro que, por um curto período, aluga aquele espaço. O reparo, que custará uma pequena soma, ainda não foi realizado, embora a última depredação tenha ocorrido há quase um mês.
O proprietário do imóvel, acionista da rede Windsor de hotéis, não quis comentar a situação do inquilino.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.