Alessandro Yara Rossi
Especial para o site da FPF
Natural de Bauru, o atual técnico do Barretos, Valter Ferreira, de 56 anos está a 30 anos nesta profissão sempre realizando trabalhos consistentes em times que buscam seu espaço entre os considerados grandes do futebol brasileiro. Como jogador foi zagueiro revelado pelo Noroeste, passou por Santo André, Matsubara (PR), Comercial e Grêmio Maringá (PR) e conseguiu o feito de chegar a seleção brasileira Sub 20 em 1974. Porém, encerrou a carreira com 24 anos, por conta de duas lesões sérias no joelho.
Depois em 1980, comandou as categorias de base do Noroeste, até chegar ao time profissional no final desta década. Posteriormente passou pelo futebol do Mato Grosso do Sul, conseguindo cinco títulos estaduais pelo Cene (MS) duas vezes, Comercial (MS) e SERC (MS) com mais duas conquistas.
Foi campeão da Série A3 pelo Rio Preto e Mirassol em 1994 e 1997, respectivamente, conquistou ainda um título estadual pelo Gama (DF) em 2000, porém obteve grande destaque no futebol em 2002: campeão mineiro pela Caldense (MG), maior conquista segundo o treinador em sua carreira.
Dirigiu duas equipes cariocas: Volta Redonda (RJ) e Americano (RJ) e depois de rodar por vários clubes como Londrina (PR), Cuiabá (MT), Joinville (SC), Anapolina (GO), Sampaio Corrêa (MA), até assumir o comando do Barretos, onde busca mais um acesso, desta vez para a Série A3 de 2012.
FPF: Como foi conquistar o título mineiro pela Caldense (MG), mesmo sem a presença dos principais times do estado?
Ferreira: Representou muito na minha carreira, montamos um time forte, tanto que o Gustavinho foi o artilheiro da competição. Não importa se Cruzeiro (MG), Atlético (MG) e o América (MG) estiveram fora da disputa e sim o valor de ganhar um título de expressão.
FPF: Qual o papel do Noroeste na sua carreira?
Ferreira: Me destaquei como zagueiro, tanto que cheguei à seleção Sub 20, depois comecei a me desenvolver como treinador e devo tudo ao Noroeste. Possuo um carinho especial, um clube muito querido.
FPF: Qual a sua filosofia de trabalho quando assume um time?
Ferreira: Tenho uma fama de técnico disciplinador, cobro dos jogadores profissionalismo, ainda mais agora que o futebol é nivelado e tem que estar preparado fisicamente, se cuidar fora de campo. Por isso que admiro muito o Felipão.
FPF: Você citou que admira o Luiz Felipe Scolari, mas existe outro treinador em que procura se espelhar?
Ferreira: Apesar de não ter conhecido, o Telê Santana foi uma grande influência para mim. Muito capacitado em todos os sentidos, sempre procurou um estilo de jogo dinâmico, preparado fisicamente e obediente no plano tático.
FPF: O que falta para você se sentir realizado no meio futebolístico?
Ferreira: Já conquistei vários títulos, trabalhos consistentes, mas ainda não recebi nenhuma oportunidade de dirigir um time de maior expressão no futebol brasileiro. Sinceramente, queria saber o motivo. Não digo algo frustrante e sim lamento, creio que com 56 anos tenho um bom tempo pela frente e espero ganhar esta chance.
FPF: Qual o principal jogador que você revelou?
Ferreira: Tenho dois atletas em especial: o Dedé, zagueiro que está no Vasco (RJ) e o Caio, do Botafogo (RJ). Ambos revelei no Volta Redonda (RJ) e logo vi que possuíam talento e determinação.
FPF: Do que um técnico que busca se firmar na carreira precisa? Quais os ensinamentos que você pode passar?
Ferreira: Para um treinador se tornar vencedor, precisa ter comando, não ser manipulado por ninguém e conquistar o respeito dos jogadores, transmitindo conhecimento e tranquilidade.
FPF: A ótima campanha do Barretos no Campeonato Paulista da Segunda Divisão, pode significar uma grande oportunidade futuramente?
Ferreira: Espero que sim, é um sonho de carreira e quem sabe assumo o comando de uma equipe de grande porte, mas no momento quero o acesso no Barretos e depois pensar no futuro.