Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Coluna do Cid Benjamin

Segunda, 03 de Maio de 2004 às 08:36, por: CdB

Sem gol, não dá
 
Cid Benjamin
 
            Hoje minha crônica vai falar só do Flamengo. Ele jogou quatro partidas, mereceu vencer as quatro, não ganhou nenhuma e está na zona de rebaixamento. O time está bem arrumado. Marca bem e sai para o ataque de forma consistente. Abel Braga é bom técnico. Ainda que eu tenha a impressão de que ele seja melhor treinando e arrumando o time do que mexendo durante o jogo. Na partida contra o Paraná - a pior que fez o Flamengo, por ironia, a que esteve mais perto de vencer - o técnico substituiu muito mal. Tirou o excelente Ibson com justiça, pois ele vinha mal no jogo. Mas manteve no banco Jônatas (com quem, claramente, tem má vontade) e pôs um terceiro cabeça de área, o limitado Robson (atenção: o fato de este jogador entrar no time com apenas 17 anos não quer dizer que seja uma maravilha ou que tenha um grande futuro).
            É indiscutível que o time do Flamengo está arrumado e tem comando. E isto tem que ser creditado ao trabalho do Abel, com a boa retaguarda do Júnior. A seriedade, o profissionalismo e o bom caráter dos dois ajude muito.
Só que isso não basta. Mais um ou dois jogos sem vitória, vai ter gente pedindo - injustamente - a cabeça de Abel. O Flamengo é um time razoável, não muito abaixo dos melhores do campeonato, mas sem poder de definição.
            Sei que a falta de um jogador com cacoete para finalizar não pode ser debitada na conta de Abel e Júnior. Não é segredo que os dois vêm buscando alguém com essas características. Se não conseguem, isso se deve muito mais à diretoria, que, como não paga em dia, não consegue contratar quem está no mercado (há quantos meses os jogadores do Flamengo não recebem? Dois? Três? Ou quatro?). É razoável que os goleadores que foram procurados prefiram jogar em outros times, onde vão receber em dia (ou mais ou menos em dia). Com isso, já se foram vários: Luizão, Guilherme, Cristian e, certamente, outros cujos nomes não foram divulgados.
            Claro, o crime de mandar embora dois centro-avantes jovens e talentosos - Adriano e Reinaldo - em troca de um jogador decadente, Vampeta, não foi desta diretoria. Mas dá dó, quando se vê que Felipe bota os atacantes quatro ou cinco vezes na cara do gol e eles (Jean em particular) são incapazes de finalizar com eficiência. O Flamengo não se tem ninguém que seja capaz de chutar uma bola olhando para o goleiro adversário. Se tivesse, com certeza estaria na liderança do campeonato (até porque, como já disse acima, foi melhor nas quatro partidas que disputou até agora). E está na zona de rebaixamento  Jean não é mau atacante. Pode até ser titular num time como o Flamengo. Mas como o penúltimo jogador, aquele que vai à linha de fundo e cruza. Jamais como o atacante encarregado de fazer gols.
            Na crônica da semana passada eu adverti: que ninguém se iluda com os três gols que ele fez contra o Vasco. Foram um acidente. Ele não sabe finalizar.
Há diferentes tipos de jogadores matadores. Há os frios, como Romário ou o Reinaldo do Cruzeiro. Há outros,  como Vavá e Roberto Dinamite (no início da carreira), que estufam o peito e mandam bala. Todos têm sua eficácia. Mas não há exemplo de matador que seja inseguro, que tenha personalidade de vítima, como Jean.
            Acho - e já disse aqui nesta coluna - que Jean deveria treinar exaustivamente conclusões. Insisto nisso. É preciso que ele aprenda a chutar olhando para o gol e tirando a bola do goleiro, coisa que não faz. Abaixa a cabeça e arremessa a bola, de qualquer maneira, em direção ao gol. Quase sempre onde está o goleiro.Mas hoje já estou achando que o pr

Tags:
Edições digital e impressa