Colonos judeus podem começar a deixar a Faixa de Gaza dentro de dois meses, segundo o cronograma de retirada proposto por uma comissão do governo de Israel que colocou o primeiro-ministro do país, Ariel Sharon, em rota de colisão com o poderoso grupo de apoio aos assentamentos.
O cronograma, que prevê a retirada total da Faixa de Gaza até 1o de outubro de 2005, acirrou os ânimos os colonos judeus e de seus aliados políticos, que prometeram intensificar os esforços para depor Sharon.
Integrantes do gabinete de governo do premiê afirmaram que ele ainda não aprovou o cronograma, elaborado pelo Conselho Nacional de Segurança e adotado por uma comissão encarregada de coordenar a retirada da Faixa de Gaza.
No entanto, o cronograma confirmava as declarações de Sharon de que não haveria israelenses na Faixa de Gaza até o final de 2005.
"Talvez haja pessoas que deixarão a região, mas sei que a maioria não concordará com isso," afirmou à Reuters Era Sternberg, porta-voz dos colonos do território. Sternberg disse que a maior parte dos 7.500 colonos da Faixa de Gaza havia assinado uma declaração recusando-se a deixar a área ou a negociar o abandono dela.
Segundo o porta-voz, os colonos tinham esperanças de que Sharon tivesse de deixar seu cargo antes de dar início à implementação dos planos de abandono da Faixa de Gaza.
Alguns membros do partido Likud, do premiê, reagiram com fúria ao cronograma, vendo nele uma tentativa de pressionar os colonos a deixar os assentamentos antes da aprovação, pelo gabinete de governo, do desmantelamento das colônias.
O plano de Sharon prevê a desocupação dos 21 assentamentos da Faixa de Gaza, região onde vivem 1,3 milhão de palestinos, e de quatro assentamentos da Cisjordânia, onde moram 230 mil colonos e 2 milhões de palestinos.
Em troca da desocupação dessas áreas, o premiê pretende se apossar definitivamente de uma parte importante da Cisjordânia.