Rio de Janeiro, 13 de Maio de 2026

Colonos israelenses entram em luta com a polícia em Gaza

Terça, 16 de Agosto de 2005 às 06:11, por: CdB

Forças de segurança israelenses entraram no maior assentamento de Gaza nesta terça-feira, enfrentando manifestantes que prometiam desafiar as ordens de deixar o território ocupado.

Soldados e a polícia retiraram à força do assentamento de Neve Dekalim mais de 50 jovens que chutavam, davam socos e xingavam os policiais.

Os tumultos foram os mais violentos desde a ordem de retirada dada pelo exército israelense para os colonos deixarem os assentamentos de Gaza em 48 horas. Houve confrontos quando os manifestantes queimaram pilhas de lixo na rua principal.

- Onde está o coração judeu?", gritou um jovem, enquanto era carregado por quatro soldados.
Alguns manifestantes atiraram balões cheios de tinta nos soldados e uma mulher se deitou diante de uma escavadeira.

- O único caminho é a saída - disse a repórteres Eival Giladi, coordenador estratégico do gabinete do primeiro ministro Ariel Sharon, depois que oficiais do exército com notificações de despejo confrontaram e consolaram nesta segunda-feira os colonos que gritavam e choravam.

Antecipando-se ao aviso, muitos colonos encheram caminhões e contêineres e se juntaram ao êxodo que marca o fim dos 38 anos de ocupação da Faixa de Gaza por Israel.

Em uma demonstração de força, a polícia formou um cordão nos dois lados da principal estrada de acesso a Neve Dekalim para impedir que os colonos bloqueassem a entrada, como fizeram na véspera. O exército disse que não toleraria ações que impedissem a saída dos residentes.

Mas sinais de desafio continuavam nos enclaves de Gaza, onde colonos radicais prometeram permanecer na terra que acreditam ter sido dada ao povo judeu por Deus.

Autoridades de segurança temem que um grupo de ultranacionalistas, incluindo alguns dos cerca de 5 mil que haviam se infiltrado nos assentamentos nas últimas semanas, possa se tornar violento.

- Agiremos contra qualquer um que violar a lei - disse o ministro da Defesa, Shaul Mofaz, em entrevista a jornalistas.

Manifestantes incendiaram pneus, carros e uma casa em um dos assentamentos. Segundo a polícia, 500 pessoas que tentavam entrar em Gush Katif foram detidas durante a noite.

Em um pronunciamento pela TV no final da noite desta segunda-feira, Sharon, que já foi o ídolo dos colonos e agora é considerado um traidor, disse aos 8.500 colonos judeus de Gaza que compartilhava de sua dor, mas que também compreendia as dificuldades do 1,4 milhão de palestinos que vivem na faixa costeira.

- Não podemos manter Gaza para sempre - disse ele.

As notificações de despejo aos 9.000 colonos nos 21 assentamentos de Gaza e nos quatro da Cisjordânia entraram em vigor à meia-noite deste domingo, seguindo o plano de Sharon. Os colonos têm até quarta-feira para sair, ou serão retirados à força.

Sharon, cujo plano tem o apoio da maioria dos israelenses, disse que Israel estava preparado para fazer a paz, mas ameaçou os palestinos com a mais dura resposta, caso haja ataques depois que os colonos forem retirados.

Os palestinos consideram a iniciativa de Sharon bem-vinda, mas temem que ela seja usada para consolidar a presença israelense na Cisjordânia, onde 230 mil colonos vivem em meio a 2,4 milhões de palestinos.

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