Soldados israelenses invadiram as colônias judaicas que ainda não foram desocupadas na faixa de Gaza nesta quarta-feira e estão enfrentando os colonos que ainda permanecem no local, tentando removê-los pela força, de acordo com o plano de retirada dos assentamentos da região. No sul de Israel, uma mulher ateou fogo em seu próprio corpo durante uma manifestação contra a retirada..
O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, falou nesta quarta-feira aos colonos da Faixa de Gaza e disse ser o único responsável pela retirada do território.
- Não acusem os soldados do Exército pela evacuação, porém me acusem porque eu sou o único responsável por isto - afirmou Sharon.
Após reunião realizada na manhã desta quarta-feira em Jerusalém com o presidente Moshé Katsav, Sharon elogiou a atitude dos colonos, que disse estarem agindo com honra.
Soldados desarmados passaram pelas barricadas dos colonos - pneus e lixo incendiados - e entraram em cinco colônias para ordenar a saída das pessoas. Policiais recolhiam manifestantes das ruas e os colocavam em ônibus, para levá-los para fora de Gaza.
Os confrontos entre policiais e colonos tomou maiores proporções em Neve Dekalim, a maior colônia judaica em Gaza, e onde a resistência a retirada por parte de colonos é muito grande. Centenas de jovens ultranacionalistas --moradores locais e ativistas que conseguiram burlar o bloqueio e entrar em Gaza-- invadiram uma sinagoga, na tentativa de conseguir prolongar sua permanência no local.
- Eu não quero. Eu não quero - dizia uma mulher, aos prantos, a quatro soldados mulheres que a retiraram de sua casa em Neve Dekalim. Muitos colonos afirmam que Gaza é parte da terra prometida por Deus aos judeus.
Ainda em Neve Dekalim, uma mulher foi presa ao bater e ferir levemente um soldado. Alguns colonos chegaram até mesmo a partir para a briga com as forças de segurança, mas acabaram sendo retirados do local.
Segundo o jornal israelense "Haaretz", uma mulher ateou fogo em seu próprio corpo nesta quarta-feira, durante uma manifestação anti-retirada na cidade de Netivot, na região de Negev (sul de Israel). A mulher teve 60% do seu corpo queimado, e foi levada imediatamente a um hospital para ser tratada.
Ainda nesta quartta-feira, uma granada de mão foi lançada contra em soldados em uma base militar ao sul de Israel, ferindo pelo menos cinco pessoas, segundo informou o serviço de emergências Zaka.
Fontes ligadas ao escritório do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, informaram ao jornal "Haaretz" que a retirada pode terminar em 48 horas. As fontes citadas pelo diário acrescentaram que a oposição ao plano de desconexão fracassou.