Judeus direitistas estabeleceram nesta segunda-feira uma nova base em Gaza, no exato local onde soldados entraram em conflito com colonos israelenses quando destruíam casas em preparativos para a retirada do território ocupado.
O conflito deste domingo - em que mais de 20 pessoas ficaram feridas e um soldado foi preso por recusar-se a cumprir ordens de participar da demolição - foi uma amostra dos tumultos previstos quando Israel começar a colocar em prática o plano de retirada de Gaza, em agosto.
Testemunhas disseram que 30 judeus nacionalistas mudaram-se para um chalé de veraneio abandonado e colocaram uma bandeira no teto perto das ruínas de outras 11 construções derrubadas por escavadeiras no domingo, na praia à frente do bloco de assentamentos de Gush Katif.
- Nós provamos que o Exército não pode expulsar colonos judeus de sua terra - disse o direitista Arik Yitzhaki ao site Ynet.
-Podemos trazer mais centenas de civis para continuar construindo na terra - advertiu.
O Exército israelense recusou-se a comentar de imediato o que fará em relação ao novo posto dos colonos na faixa costeira do Mediterrâneo, onde adversários da retirada estão se concentrando para resistir ao plano.
O porta-voz do conselho de Gush Katif, Avner Shimoni, criticou o Exército por ter derrubado as casas e prometeu que não diminuirá a oposição ao plano do primeiro-ministro Ariel Sharon de "desvincular-se" do conflito com os palestinos.
- A tensão aqui é grande - disse ele à Rádio Israel.
Como parte de uma crescente campanha de protesto, os colonos e simpatizantes israelenses prometeram paralisar Israel no horário de pico, parando automóveis e pedestres e pedindo que reflitam sobre as justificativas do plano de retirada de Gaza.
As pesquisas mostram que a maioria dos israelenses apóia o plano para retirar 21 assentamentos de Gaza e quatro dos 120 na Cisjordânia - a primeira saída dos judeus das terras ocupadas que os palestinos reivindicam para erguer um Estado independente.
Mas muitos colonos acreditam que a terra de onde vão ser expulsos lhes pertence, conforme se lê na Bíblia, e que abandoná-la seria "capitular" a uma revolta palestina que começou em 2000.