Funcionários da empresa que faz o engarrafamento e distribuição da Coca-Cola da cidade de Barrancabermeja denunciaram nesta terça-feira vários atos ilícitos da empresa, como o fechamento ilegal e arbitrário de linhas de produção nas cidades de Montería, Cartagena, Valledupar, Cúcuta, Barrancabermeja, Villavicencio, Pereira, Duitama, com o propósito de executar demissões massivas. Além disso, os trabalhadores afirmaram que nos últimos dias vêm sofrendo uma ofensiva muito forte contra familiares de líderes sociais e sindicais.
O recente assassinato do líder social Jesús Rojas Castañeda, cunhado de Juan Carlos Galvis, funcionário da engarrafadora e vice-presidente da Sinaltrainal e presidente do Comitê Seccional da Central Única dos Trabalhadores da Colômbia (CUT), mostra como o clima de terror está acurralando a população. Juan Carlos também recebeu uma ameaça de morte.
As denúncias envolvendo a Companhia Coca-Cola e alguns dos seus diretores não tiveram início recentemente, já desde algum tempo, a companhia vem sendo acusada de sonegação de impostos, fraudes, assassinatos, torturas, ameaças e chantagens a trabalhadores, sindicalistas, governos e empresas. Também já foi acusada de aliar-se inclusive com exércitos e grupos paramilitares na América Latina. A Anistia Internacional e outras organizações de Direitos Humanos têm acompanhado os casos.
Segundo a Rede Irmandade e Solidariedade da Colômbia, há muitos anos a Companhia Coca-Cola incide sobre a realidade dos camponeses e indígenas, comprando ou deixando de comprar açúcar, com a finalidade de substituir o doce pelo açúcar no milho transgênico dos Estados Unidos. A Rede destaca que a Coca-Cola também tem interferido na vida dos produtores de coca; é responsável pela falta de água em alguns lugares; e é responsável também pela mudança nas políticas públicas para privatizar esse líquido vital. "A Companhia interfere na economia de muitos países; na indústria do vidro e do plástico e em outros componentes de sua fórmula. Além disso, interfere diretamente na manipulação das culturas desde Chamula em Chiapas até Japão ou China, passando pela Rússia", frisa a Rede.
Os dirigentes sindicais escreveram uma carta exigindo ao governo da Colômbia que proteja a vida e a integridade física dos dirigentes e afiliados às organizações sociais e sindicais.
Colombianos denunciam chantagem de engarrafadora da Coca-Cola
Terça, 09 de Dezembro de 2003 às 08:27, por: CdB