A Colômbia enfrenta nos últimos anos o aumento da violência entre guerrilheiros de esquerda, paramilitares de direita e forças armadas. A situação é agravada pelo poder do narcotráfico, que exerce grande influência na sociedade colombiana, incluindo as instituições oficias.
Os conflitos pelo controle do poder perduram mais de um século. A rivalidade dos partidos Liberal e Conservador, fundados em 1849, levou a uma sucessão de guerras civis.
De 1899 até 1903, acontece uma guerra civil entre os partidos, que fica conhecida como "A Guerra dos Mil Dias". Cerca de 120 mil pessoas morrem e o Panamá, então território colombiano, se torna um Estado independente.
De 1948 até 1957, no período conhecido como La Violencia, conflitos civis e golpes de Estado matam 300 mil civis. Em 58, Conservadores e Liberais formam a Frente Nacional, em um acordo para acabar com a guerra civil, comprometendo-se a fazer um rodízio na presidência.
Ex-combatentes liberais criam em 1965 as Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc), braço militar do partido comunista. No mesmo ano são fundados o Exército de Libertação Nacional (ELN), grupo guerrilheiro de esquerda, e o grupo maoísta Exército Popular de Libertação (ELP).
Partidários do ex-ditador Rojas Pinilla acusam a Frente Nacional de fraude e criam a guerrilha Movimento Revolucionário 19 de abril (M-19).
Em 1978, o presidente liberal Julio Turbay inicia combate intensivo contra traficantes de drogas. Em 82, o conservador Belisário Betancur garante anistia a guerrilheiros e solta prisioneiros políticos. Uma campanha contra traficantes de drogas avança depois do assassinato do ministro da Justiça.
No ano de 1985, o grupo M-19 invade o Palácio da Justiça matando onze juízes e 90 civis.
Em 1986, um candidato liberal vence. Grupos paramilitares iniciam uma campanha de assassinatos contra políticos de esquerda. Como resposta, ocorrem ações de violência de grupos de esquerda e esquadrões da morte ligados aos cartéis de drogas.
Em 88, o M-19 é legalizado como partido, depois de formalizar um acordo de paz com o governo. Candidatos à presidência são assassinados durante a campanha eleitoral.
Em 93, o chefe do cartel de Medellín, Pablo Escobar, é morto a tiros quando tentava escapar de policiais.
Em 98, Andrés Pastrana, do partido Conservador, é eleito presidente e inicia o diálogo com os guerrilheiros das Farc. Garante ao grupo o controle de uma área de 42 mil quilômetros quadrados, a 200 km ao sul da capital Bogotá, transformando-a numa zona desmilitarizada. As negociações de paz são formalmente lançadas.
As Farc rejeitam a proposta do governo de envio de observadores internacionais para a área. Os guerrilheiros são acusados de promover execuções, recrutar adolescentes e seqüestrar civis.
Em 2000, a Organização das Nações Unidas acusa o governo de não agir corretamente no combate aos grupos paramilitares. Os Estados Unidos enviam uma ajuda militar de U$ 1,3 bilhão para o país combater o tráfico de drogas.
As Farc libertam 359 policiais e o governo solta 14 guerrilheiros em 2001. O grupo continua a ser acusado pelo governo de usar a zona desmilitarizada para preparar ataques terroristas e cultivar drogas. Eles assinam um compromisso para negociar um cessar-fogo. As Farc impõem como condição que o governo afrouxe o controle ao redor da região.
O presidente Pastrana interrompe o processo de paz e dá um prazo de 48 horas para que os guerrilheiros das Farc deixem a zona desmilitarizada. O grupo anuncia sua retirada.
Linha-dura contra guerrilha
Álvaro Uribe se elege em 2002 e promete linha-dura contra os guerrilheiros.
Em fevereiro, o presidente colombiano suspende as negociações que eram mantidas pelo governo há mais de três anos. Em retaliação, a candidata à presidência Ingrid Betancourt, que tem dupla nacionalidade francesa e colombiana, é seqüestrada pelas Farc em feverei